O mistério sobre a rotação de Saturno teve novo desfecho com as observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST). Por muito tempo, astrônomos observaram variações na velocidade de rotação do gigante gasoso, algo improvável para um planeta tão estável. O novo estudo aponta que a rotação nunca mudou de fato.
Pesquisa publicada no Journal of Geophysical Research: Space Physics revela que o que se via eram efeitos da alta atmosfera de Saturno. As auroras polares atuam como um motor atmosférico, gerando aquecimento, ventos intensos e correntes elétricas que modificam os sinais magnéticos usados para estimar a rotação.
A colaboração usou o JWST para monitorar a região auroral norte ao longo de um dia completo de Saturno, analisando emissões infravermelhas de uma molécula-chave (cátion tri-hidrogênio). A alta precisão permitiu mapear padrões de aquecimento e resfriamento na atmosfera superior.
Mecanismo e implicações
- Auroras aquecem regiões da atmosfera, ativando ventos fortes.
- Ventos geram correntes elétricas que fortalecem as auroras.
- Esses sinais elétricos alteram os dados de rotação estimados a partir de medições magnéticas.
Essa dinâmica entre atmosfera e magnetosfera explica a ilusão de variação na rotação. O estudo confirma que Saturno mantém a velocidade angular estável, mesmo quando sinais observados sugeriam mudanças.
A pesquisa também amplia a compreensão sobre a interação entre camadas atmosféricas e o campo magnético em gigantes gasosos. Os autores sugerem que fenômenos semelhantes podem ocorrer em outros planetas do sistema solar e até em exoplanetas.
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