O projeto Habvia analisa como tintas refletivas em telhados reduzem temperaturas internas e impactam a saúde, com dados claros em reservas de habitação de África. Em Khayelitsha, na periferia de Cidade do Cabo, casas com telhados pintados ficam mais frias durante a tarde, em comparação com unidades sem pintura. O estudo envolve três verões de monitoramento e 240 residências no continente.
Na prática, o experimento compara 60 casas em Khayelitsha, sendo 30 com telhados pintados e 30 sem pintura. Os dados indicam uma queda média de 3 a 4 °C na hora mais quente do dia nas casas com telhados refletivos. Resultados preliminares de narrativas dos moradores acompanham as medições técnicas.
Habvia em Khayelitsha
A equipe liderada por Lara Dugas, epidemiologista, e Mark New, cientista climático, coordena o projeto. Nandipha Sinyanya e Vuyisile Moyo atuam como principais pesquisadores de campo, conectando entrevistas a leituras de temperatura e poluição do ar. O acompanhamento ocorre três vezes por estágio de cada verão.
Os pesquisadores coletam dados com sensores de parede, registram temperatura, qualidade do sono, atividade e realizam testes de glicose, urina e pressão arterial. O objetivo é associar conforto térmico com impactos potenciais na saúde ao longo de contextos urbanos e rurais.
Expansão e metodologia
Além de Khayelitsha, o Habvia avança para Mphego, na África do Sul rural, e para Ga-Mashie e Nkwantakese, em Gana, mantendo a mesma metodologia de comparação entre ambientes com e sem pintura. A iniciativa faz parte de nove projetos financiados pela Wellcome Trust no âmbito do HeatNexus.
A meta é ampliar a intervenção de telhados refletivos, com foco na viabilidade econômica. O protótipo utilizado é Rhinoluxe Heat Reflect, tintas de alto índice de reflexão infra-vermelho para uso comercial e agroindustrial, produzidas localmente para viabilidade de escala.
Perspectivas e impactos
A equipe observa que dormir melhor não é apenas bem-estar; melhora previsível de saúde mental, controle de doenças e redução de agravamentos em condições como hipertensão. O estudo demonstra como uma intervenção simples pode alterar rotinas diárias e qualidade de vida em comunidades vulneráveis.
Um participante de Khayelitsha relata que o calor intenso nas residências com telhado de zinco dificulta o sono e gera cansaço ao acordar. A pintura, quando aplicada, traz redução do calor interno, levando a mudanças perceptíveis no cotidiano.
Caminho futuro
Os pesquisadores destacam o desejo de estender a pintura para milhões de telhados, começando por escolas e clínicas. A sustentabilidade financeira, incluindo preço da tinta e logística, é um fator central para ampliar o alcance da intervenção a longo prazo.
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