O câncer de próstata ganha novas opções terapêuticas no Brasil com a liberação de HIFU e crioterapia para uso clínico em casos selecionados pelo Conselho Federal de Medicina. A decisão ocorre em meio a debates sobre tratamento e qualidade de vida.
O PROTECT Trial mostrou que, em câncer de próstata localizado, monitoramento ativo, cirurgia e radioterapia apresentam similaridade na sobrevida específica da doença ao longo de 15 anos. Contudo, metade dos monitorados precisou de tratamento radical.
O estudo reforça a necessidade de avaliar benefícios e efeitos adversos de procedimentos agressivos, que, apesar de altas taxas de cura, podem provocar incontinência urinária e disfunção erétil, impactando a qualidade de vida.
Tecnologias de tratamento focal
A terapia focal atua apenas na área acometida, preservando o restante da próstata. As principais tecnologias são HIFU, que usa ultrassom de alta intensidade, e crioterapia, que congela o tecido tumoral.
Essas técnicas são associadas à preservação de órgão e já são utilizadas em outros tumores, como rim e fígado, ganhando espaço na próstata com diagnóstico mais preciso.
Contexto regulatório e aplicação no Brasil
Com avanços em ressonância magnética, PET e biópsias, é possível direcionar o tratamento com maior segurança. HIFU e crioterapia passaram por restrições regulatórias no Brasil, mas foram autorizados novamente pelo CFM.
Na prática, as terapias são indicadas para tumores iniciais, de baixo a intermediário, localizados em área única da próstata, como alternativa menos invasiva à cirurgia robótica em pacientes bem selecionados.
Recorrência e uso clínico
As técnicas também podem ser utilizadas em recidivas após radioterapia, oferecendo opção com menor morbidade que a cirurgia de resgate. Mantêm, porém, o objetivo de controle da doença e preservação de função.
Essa mudança marca tendência de personalização do tratamento, priorizando cura, preservação de qualidade de vida e redução de complicações, sem abrir mão do controle oncológico.
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