A pesquisa europeia CarboNcare propõe transformar CO₂ capturado em plásticos, cosméticos e medicamentos sem depender de combustíveis fósseis. Liderada pela Charité, Universitätsmedizin Berlin, a iniciativa utiliza bactérias geneticamente modificadas para converter matérias-primas sustentáveis em químicos de alto valor industrial.
A ideia central é reduzir emissões de carbono e a extração de petróleo, gás natural e carvão na fabricação de bens comuns. Entre os benefícios destacados estão menor impacto ambiental, menor dependência de fósseis e avanços na economia circular de carbono.
O projeto aposta ainda na viabilidade de substituição gradual de insumos fósseis por processos biotecnológicos, com foco em aplicações industriais amplas. O objetivo é tornar a produção de insumos para plásticos, cosméticos e medicamentos mais limpa.
Como funciona a abordagem
Pesquisadores exploram o uso de CO₂ atmosférico como fonte de carbono, transformando-o em metanol sustentável. Em seguida, bactérias modificadas metabolizam esse combustível para gerar moléculas úteis.
Escherichia coli e Pseudomonas putida são os principais microrganismos estudados. Após ajustes genéticos, eles passam a produzir lactato, succinato e 2,3-butanodiol, componentes usados em bioplásticos, cosméticos, conservantes e revestimentos.
A etapa seguinte envolve modelagem computacional para prever o desempenho metabólico e orientar as modificações. Também há avaliação econômica e ambiental para viabilizar a transferência para processos industriais reais.
Desdobramentos e perspectivas
A iniciativa já contempla a integração entre engenharia genética, economia circular e biotecnologia industrial. Caso haja sucesso, a cadeia produtiva pode ampliar o uso de carbono capturado e reduzir a dependência de recursos fósseis em setores-chave.
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