Pesquisadores de universidades dos EUA, Reino Unido e Japão desenvolveram um modelo mecânico unificado para explicar o “andar” de peixes fora d’água. O estudo, publicado nesta semana na Nature Communications, mostra que caminhar em terra firme não exige membros altamente especializados.
Para validar o modelo, foram usados vídeos em alta velocidade do bichir-cinzento, Polypterus senegalus. Os dados alimentaram simulações e a construção de um robô em três partes que reproduz o movimento.
Ao testar várias frequências e formatos de corpo, o robô confirmou que as proporções do peixe real estão quase otimizadas para velocidade e eficiência, segundo os autores. A matemática aplicada também explica o caminhar de outros peixes.
A pesquisa aponta que não é necessário usar membros grandes como nos mamíferos ou anfíbios para uma locomoção eficiente. A flexibilidade do corpo, a gravidade e o atrito com o solo são suficientes para gerar soluções evolutivas convergentes.
Além de desvendar a biologia atual, o trabalho oferece ferramentas para entender o passado evolutivo. Entre os insights está como os primeiros vertebrados migraram da água para a terra, dando os primeiros passos há milhões de anos.
Implicações e caminhos futuros
O estudo sugere que modelos físicos simples podem explicar a locomção terrestre de espécies distintas. Os pesquisadores esperam aplicar a abordagem a outros grupos e a cenários ecológicos variados.
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