No último fim de semana, em Chicago, durante o congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), médicos assistiram a uma apresentação sobre um novo tratamento para câncer de pâncreas avançado. O estudo Rasolut 302 mostrou resultados surpreendentes com um comprimido oral tomado uma vez ao dia. A plateia, com mais de 15 mil participantes, aplaudiu de pé por 42 segundos. A reação foi destacada pelo próprio pesquisador.
O tratamento testado é o daraxonrasibe, voltado a tumores que carregam a mutação KRAS, alvo tradicionalmente considerado inatingível. O estudo, divulgado simultaneamente no New England Journal of Medicine, avaliou pacientes que já tinham falhado cirurgia ou quimioterapia prévia. os resultados apontaram dobrar a sobrevida média, de cerca de 6,5 meses para mais de 13 meses, e reduzir o risco de morte em 60%.
Além da sobrevida, os pacientes que utilizaram o comprimido relataram melhoria na qualidade de vida, com menor nível de dor e maior autonomia. Em relação aos efeitos colaterais, apenas 1% abandonou o tratamento, ante 11% na quimioterapia convencional. A forma de aplicação é mais conveniente, com tratamento domiciliar, em vez de infusões hospitalares.
Resultados e significância
Os números indicam avanço relevante contra uma doença que, em estágio metastático, possui baixa taxa de sobrevivência. O estudo também mostrou que o tempo até piora da dor foi maior entre os pacientes do grupo que recebeu o comprimido.
Perspectivas regulatórias
Ainda não há aprovação global do daraxonrasibe. Nos Estados Unidos, a FDA autorizou acesso expandido para pacientes fora de estudo, com o processo de registro em andamento. Na União Europeia, o pedido de aprovação não foi submetido ainda, e a disponibilidade tende a não ocorrer antes de 2027. No Brasil, o caminho depende de avaliação pela Anvisa e eventual incorporação ao SUS.
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