O tratamento de arritmias graves na doença de Chagas exige cuidado além da sala de cirurgia. Pesquisa da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) aponta necessidade de acompanhamento rigoroso da insuficiência cardíaca e de outras comorbidades após a alta hospitalar. O estudo foi publicado na Lancet Regional Health – Americas.
A análise avaliou 378 procedimentos de ablação por cateter realizados entre 2011 e 2020 no Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da FMUSP, envolvendo 288 pacientes. Os pesquisadores destacam maior complexidade do procedimento em pacientes com Chagas, com maior necessidade de acesso ao epicárdio, 78% versus 15% em cardiopatias não chagásicas.
Segundo os autores, a mortalidade por causas não cardíacas foi 2,41 vezes maior entre pacientes chagásicos submetidos à ablação, em comparação com pacientes com cardiomiopatias isquêmica ou dilatada idiopática. A taxa de recorrência da arritmia não se diferenciou entre os grupos, indicando eficácia da ablação para controlar o curto-circuito.
O estudo reforça que a arritmia não tem eliminação do risco apenas com a intervenção. A avaliação pós-procedimento deve incluir manejo da insuficiência cardíaca e distúrbios associados, especialmente para a maioria dos pacientes atendidos pelo SUS. Acesse o artigo completo na Lancet Regional Health – Americas para detalhes metodológicos.
Estratégias de acompanhamento e vigilância clínica são apontadas como fundamentais para reduzir mortalidade e melhorar o desfecho a longo prazo, segundo os autores. O trabalho ressalta a importância de políticas de cuidado contínuo para portadores da doença de Chagas que passam por ablação.
Da Assessoria de Imprensa da FMUSP, adaptado para o Jornal da USP
Entre na conversa da comunidade