Ao menos dois terços das cidades brasileiras ainda não iniciaram nem estão em fase inicial de elaboração de planos de ação para enfrentar o calor extremo. O dado integra estudo divulgado nesta quarta-feira, 3 de [mês], pela presidência brasileira da COP 30 e pelo Pnuma. A iniciativa faz parte do Mutirão Contra o Calor Extremo e envolve 105 cidades no Brasil, entre 53 avaliadas no país.
O levantamento aponta que, apesar de 93% dos gestores considerarem o calor extremo um problema relevante e 68% o colocarem entre os três principais desafios locais, o risco não se traduz em capacidade de resposta efetiva. Há lacunas de dados, governança e financiamento para a adaptação.
75% das cidades não utilizam dados de forma estruturada para orientar decisões, e 85% dependem de recursos externos para medidas de adaptação. Apenas 42% possuem sistemas de informações geográficas para mapear os riscos do calor extremo.
Infraestrutura e estratégias
As ações atuais concentram-se, em grande parte, em soluções baseadas na natureza, como arborização, áreas sombreadas, parques, telhados verdes e restauração de áreas úmidas, presentes em 77% dos municípios participantes.
Em contrapartida, técnicas de resfriamento passivo — ventilação cruzada, pavimentos permeáveis, isolamento térmico e materiais refletivos — estão em menos de 21% das cidades. Mais de 80% ainda não desenvolveram critérios sustentáveis de compras públicas voltadas ao resfriamento urbano.
O que é calor extremo
Os pesquisadores explicam que calor extremo não é apenas dias quentes; ocorre quando o calor persiste por dois ou mais dias sem dissipação noturna. A temperatura sobe em “escadas”, dificultando o resfriamento de casas, o sono e a saúde.
Segundo a área, o calor extremo deixa de ser desconforto sazonal e passa a ser ameaça à saúde pública. O Pnuma estima cerca de meio milhão de mortes por ano globalmente. No Brasil, entre 2000 e 2020, ondas de calor associaram-se a cerca de 50 mil mortes em regiões metropolitanas.
Perspectivas e próximos passos
A CEO da COP30, Ana Toni, afirma que a adaptação exige cooperação entre setores e governos, com apoio nacional e internacional. O Mutirão Contra o Calor Extremo busca diagnóstico, planos de ação e fontes de financiamento para ampliar a resiliência urbana.
Nos próximos 12 a 18 meses, 51% das cidades participantes pretendem desenvolver políticas municipais completas e 28% planejam intervenções em áreas vulneráveis. O objetivo é beneficiar cerca de 7 milhões de pessoas entre os 50 milhões de moradores envolvidos.
Cenário regional e riscos futuros
A atividade investigada ocorre em um contexto de alerta mundial sobre o aquecimento. Especialistas citam a possibilidade de um “Super El Niño” na segunda metade de 2026, o que pode ampliar secas e incêndios no Norte e Nordeste e trazer chuvas extremas à Região Sul.
Cemaden, órgão de monitoramento climático, confirma previsões de intensidade maior de eventos climáticos. A preparação urbana surge como medida para reduzir impactos na saúde, infraestrutura e serviços públicos.
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