O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que o surto de Ebola na República Democrática do Congo pode ter começado já em janeiro, o que teria dado ao vírus uma vantagem inicial. Ele ressaltou que a resposta ainda está se igualando ao desafio.
Segundo Tedros, o progresso é perceptível com a criação de centros de tratamento na província de Ituri, a mais afetada. No entanto, ele apontou entraves como restrições de viagem generalizadas, desconfiança comunitária e a dificuldade de rastreamento de contatos.
O chefe da OMS destacou que as restrições de circulação dificilitam a operação logística e recomendou a suspensão dessas medidas, citando impactos na cadeia de suprimentos e na resposta à epidemia. Países que adotaram tais medidas foram citados como exemplo.
O rastreamento de contatos enfrenta obstáculos de segurança e deslocamento forçado na Ituri, com apenas cerca de 45% dos contatos monitorados. A OMS quer elevar esse índice para acima de 90% para antecipar o avanço do surto.
Na DR Congo, a quantidade de casos suspeitos caiu de mais de 1.000 para 116, após processos de backlog de testes, que precisam ser confirmados ou descartados. A prioridade é ampliar a capacidade laboratorial na região.
A origem do surto ainda gera incerteza: o primeiro caso identificado foi uma enfermeira que buscou atendimento em 24 de abril, porém há cenários alternativos. Tedros reforçou que o foco atual deve ser a resposta.
Não há vacina nem tratamento específico para a cepa Bundibugyo. Ainda assim, a OMS destacou que a recuperação de seis pessoas na DR Congo e de duas no Uganda indica que a doença pode ser controlada com acesso a cuidados médicos adequados.
Esforços e parcerias
O Ministério da Saúde da Uganda informou avanços no controle de casos próximos à fronteira. Em complemento, o Reino Unido anunciou uma rede de pesquisa multirriscos para apoiar aconselhamento rápido e evidências sobre doenças infecciosas emergentes, incluindo o atual surto.
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