O mercúrio contamina gestantes da Terra Indígena Munduruku, no Médio Tapajós, Pará. Dados preliminares indicam concentrações quatro vezes superiores ao limite seguro da OMS. A média entre as gestantes monitoradas é de 9,1 µg/g em cabelo.
O estudo longitudinal envolve gestantes e recém-nascidos da região. Dos 195 mulheres acompanhadas, 97% apresentaram mercúrio acima do limite. O dado extremo chegou a 39,9 µg/g, cerca de 20 vezes o valor considerado seguro.
Entre as mães já deram à luz, 90% dos bebês nasceram com mercúrio no organismo. A média dos recém-nascidos é de 5,8 µg/g, três vezes o teto seguro; houve casos de 30,8 µg/g, 15 vezes acima do limite.
Dados do estudo
Segundo Paulo Basta, coordenador da pesquisa, o mercúrio pode alcançar o feto pela placenta e impactar o neurodesenvolvimento. A equipe acompanha curvas de crescimento, peso e estatura dos bebês nos dois primeiros anos de vida.
O estudo é realizado pela ENSP/Fiocruz. Os pesquisadores destacam que a notificação oficial de casos de contaminação por mercúrio ainda é limitada no Brasil, dificultando estatísticas nacionais.
A rodagem do garimpo ilegal na Amazônia alimenta a contaminação. O uso do mercúrio para separar o ouro dos sedimentos resulta em rios e seres vivos contaminados, especialmente peixes, fonte alimentar principal do povo Munduruku.
A liderança Munduruku, representada por Alessandra Korap, relata a mobilização da comunidade após os primeiros resultados de 2022. Há apreensão sobre sérios impactos à saúde materna e infantil.
Segundo dados de MapBiomas, cerca de 92% da garimpagem no Brasil ocorre na Amazônia, com boa parte dedicada à extração de ouro. O garimpo, legal ou ilegal, está ligado a desmatamento, violência e evasão de recursos.
Organizações ambientais apontam fraquezas nos licenciamentos ambientais e na fiscalização estadual, o que complicaria a gestão socioambiental da atividade. O Ministério Público do Pará cobra atuação dos entes públicos nessa pauta.
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