O Brasil reúne o maior volume mundial de água doce renovável, mas o recurso é regionalmente assimétrico e vulnerável às mudanças climáticas e à atividade humana. Cerca de 95% da água do país está em aquíferos, responsáveis por aproximadamente 55% da demanda nacional.
Pesquisadores brasileiros mostram que, em várias regiões, a recarga dos aquíferos não acompanha a retirada de água. Entre 2002 e 2023, a recarga média nas zonas de afloramento foi de 223 mm por ano, equivalentes a 12% da precipitação anual.
Na Amazônia, áreas úmidas apresentam recargas entre 300 mm e 800 mm por ano, enquanto no Nordeste variam de 0 a 100 mm. No Centro-Oeste, o intervalo fica entre 100 mm e 300 mm, revelando assimetrias marcantes.
Tendências de recarga também indicam quedas em algumas áreas. No Centro-Oeste e no Sudeste, registros apontam quedas fortes a moderadas, variando de −3,6 a −0,25 mm/ano². Essas reduções coincidem com expansão da agropecuária e estiagens.
A relação entre uso do solo, desmatamento e infiltração é central. Árvores reduzem a energia de chuva; raízes criam caminhos que aceleram o escoamento, dificultando a infiltração e a recarga dos aquíferos. O desmatamento agrava esse efeito.
A recarga de aquíferos precisa ser monitorada com maior rigor para evitar extrações desmedidas, especialmente em áreas de recarga sensível. Reflorestamento e contenção de derrubadas ajudam a manter infiltração e qualidade da água.
Medidas públicas devem incentivar irrigação mais eficiente, diversificação de culturas resistentes ao clima seco e modelos de uso sustentável da água na agropecuária. A gestão compartilhada de aquíferos pode ampliar a resiliência hídrica.
O estudo enfatiza que, apesar da abundância no território, a água subterrânea é finita e exige ações concretas para preservá-la a longo prazo. A adoção de políticas de conservação, monitoramento e manejo sustentável é essencial.
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