Mais de 90% dos adultos do Rio de Janeiro vivem em bairros com níveis altos ou extremos de poluição do ar, aponta estudo publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, da Sociedade Brasileira de Cardiologia. A pesquisa envolve 164 bairros entre 2000 e 2019 e usa dados de satélite combinados a registros do SUS.
Cerca de 4,2 milhões de pessoas estão expostas a partículas finas MP2,5, fatores de risco para doenças cardíacas. As informações foram cruzadas com mortalidade de moradores com mais de 20 anos para estabelecer impactos.
O estudo indica que áreas com poluição extrema apresentam mortalidade por doenças cardiovasculares pelo menos 20% acima de regiões com poluição moderada. Em doenças cerebrovasculares, a diferença chega a 38%.
Paulo Henrique Godoy, cardiologista e um dos autores, afirma que não são apenas idosos os mais expostos. A poluição pode antecipar mortes entre pessoas de 50 a 69 anos por exposições prolongadas.
Locais com maior poluição
Vigário Geral, Caju, Bonsucesso, Manguinhos, Benfica e São Cristóvão aparecem entre os bairros com piores índices. Alto da Boa Vista, Grajaú, Tijuca e Jardim Botânico aparecem entre os menos impactados.
Ao todo, 107 dos 164 bairros pesquisados ficaram na categoria extrema de poluição. O estudo não encontrou nenhum bairro com níveis dentro do limite anual recomendado pela OMS.
Os autores destacam a necessidade de políticas públicas para reduzir emissões e melhorar a qualidade do ar. Os resultados reforçam a importância de ações municipais e estaduais voltadas ao tema.
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