Nos EUA, pesquisadores apresentaram avanços no combate ao câncer na reunião anual da ASCO, em Chicago. A conferência reuniu cerca de 40 mil profissionais de saúde, com mais de 200 sessões e 2.700 pôsteres, sob o tema da tradução entre ciência e prática clínica.
Parágrafo-lide: cientistas apresentaram uma droga experimental que tira os tumores de seu estado de invisibilidade, permitindo que o sistema imune os ataque. O comprimido GRWD5769, usado com cemiplimab, provocou redução de pelo menos 30% em 26 de 83 pacientes com cânceres variados, em estudo multinacional.
Dra. Fiona Thistlethwaite, pesquisadora-chefe do Christie NHS Foundation Trust, destacou que o tratamento é promissor, apesar de ainda precoce. Também houve demonstração de que outra droga inteligente combinada a quimioterapia estendeu a sobrevida de pacientes com câncer de pulmão em 15%.
Em outra linha, um estudo de 500 pacientes com câncer de pâncreas mostrou que um comprimido, daraxonrasib, dobrou a sobrevida média em comparação com quimioterapia, com menos efeitos colaterais. A média de vida passou de 6,6-6,7 meses para 13,2 meses.
A conferência também trouxe resultados de uma terapia tripla que incluiu mezigdomide, aumentando significativamente o tempo sem progressão em mieloma múltiplo, sem ampliar danos aos tecidos saudáveis.
Avanços e cautelas
Um teste genômico em 4 mil pacientes com câncer de mama indicou que parte deles poderia evitar quimioterapia, usando apenas hormonioterapia, com guidança de um novo painel de genes. A descoberta abre caminho para a medicina personalizada.
Outro estudo mostrou que indução de imunoterapia com durvalumab, associada a quimioterapia e radioterapia, reduziu recidivas em câncer de bexiga, potencialmente poupando cirurgias invasivas.
Por outro lado, um estudo com 142 mil pacientes britânicos avaliou um teste de detecção precoce de muitos tipos de câncer. Não atingiu o objetivo principal de reduzir diagnósticos em estágios avançados, gerando cautela sobre a ferramenta.
Especialistas alertaram ainda para a expansão prevista de casos de câncer, com queda de profissionais da área. A projeção indica aumento de incidência de 21% até 2050, chegando a cerca de 200 diagnósticos por 100 mil pessoas.
Além disso, a comunidade científica reforçou a importância de ações de prevenção e combate ao déficit de profissionais, diante de uma população mundial envelhecida e maior incidência da doença.
Estilo de vida e prevenção
Estudos apresentados mostraram que hábitos de sono ruins podem elevar o risco de câncer em jovens, com maior incidência de tumores de cólon, mama, útero e ovário. Pesquisas com 18 milhões de adultos nos EUA apontaram relação entre insônia e maior probabilidade de diagnóstico precoce.
Também houve evidência de benefícios de mudanças de estilo de vida após o diagnóstico, com yoga regular contribuindo para redução de estresse, ansiedade e fadiga em pacientes oncológicos.
A comunidade médica destacou ainda que tais intervenções não substituem tratamentos médicos; servem como complemento para melhorar qualidade de vida e manejo de efeitos colaterais.
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