Ondas originárias da Antártida atravessam 14 mil quilômetros até o Alasca, mostra estudo com boias. A pesquisa, publicada na Journal of Geophysical Research: Oceans, acompanhou o trajeto de ondulações geradas em tempestades no Oceano Antártico até chegarem ao Alasca.
Uma rede de 300 boias oceânicas à deriva monitorou as ondulações ao longo de 2023. As mensagens capturadas permitiram mapear o caminho das swell, que se formam em ventos fortes distantes e podem percorrer mares por semanas.
Segundo os pesquisadores, as ondas observadas no Equador, região de ventos relativamente fracos, indicam origem remota. Em todos os casos, as swell tiveram início em tempestades polares, com a rota Antártica até o Alasca, em média, em 12 a 17 dias de viagem.
Metodologia
O estudo utilizou dispositivos flutuantes, pouco maiores que uma bola de basquete, que transmitem posição e medições de ondas. A análise concentrou-se na região equatorial para entender a propagação de ondas longas e a distância entre elas.
As ondas mais energéticas percorreram o trajeto em 12 dias, enquanto as menores levaram até 17 dias. Ao chegar ao Alasca, grande parte da energia inicial já havia se dissipado, reduzindo as alturas de cerca de 10 metros para cerca de 10 centímetros.
Implicações para clima e regiões costeiras
O trabalho evidencia que ondas influenciam erosão de praias, inundações e a segurança na navegação, além de participar de trocas gasosas entre oceano e atmosfera. A nova abordagem oferece ferramenta para monitorar a dinâmica oceânica global com maior precisão.
Os autores destacam que tempestades no Oceano Antártico estão se tornando mais frequentes e intensas com as mudanças climáticas. Caso a tendência persista, efeitos das swell podem atingir costas muito distantes, expandindo a área de influência dessas tempestades.
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