O Microlançador Brasileiro (MLBR) avançou em uma etapa decisiva do projeto que visa lançar satélites na órbita da Terra. Preparativos para os primeiros carregamentos dos motores já foram concluídos, incluindo o propelente inerte para testes iniciais. Os envelopes dos propulsores N-04 e N-09, que equiparão o segundo e o terceiro estágios, seguem definindo a estratégia tecnológica.
As equipes trabalham na fabricação e nos testes de equipamentos de carregamento dos motores, como o mandril central da geometria interna do grão propelente. As estruturas dos três motores já passaram pela qualificação. O N-90 fica no primeiro estágio, o N-09 utiliza cerca de 1 tonelada de propelente, e o N-04, aproximadamente 400 quilos.
O MLBR tem como objetivo tornar o Brasil capaz de colocar pequenos satélites em órbita a partir de território nacional. O projeto é patrocinado pela FINEP, ligada ao MCTI, em parceria com a AEB, com custo estimado em 189 milhões de reais. A expectativa é lançar ainda em 2026.
Teste de motor
No fim de maio, a startup BIZU Space realizou o teste do primeiro modelo de voo do motor-foguete líquido ARION, avanço relevante para a propulsão brasileira. O ensaio ocorreu no banco de ensaios T8, na Universidade do Vale do Paraíba, em São José dos Campos, SP.
O motor, desenvolvido e fabricado pela própria empresa, utiliza peróxido de hidrogênio como oxidante e querosene de aviação como combustível. O objetivo foi validar tecnologias críticas para o programa espacial nacional, incluindo sistemas de tanques, válvulas e controle do conjunto propulsivo.
Segundo Rafael Corrêa, gerente do MLBR, o progresso reforça a evolução do programa em direção ao acesso independente ao espaço. O MLBR pretende, ainda, lançar, de um centro nacional, o primeiro veículo capaz de colocar pequenos satélites em órbita.
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