O relatório de 1.352 páginas, elaborado por 600 cientistas internacionais, aponta que os oceanos vivem uma crise que se aprofunda. A ONU pediu ação mundial urgente diante de mudanças climáticas, poluição e sobrepesca.
O documento, que cobre o período entre 2018 e 2023, mostra aumento da temperatura oceânica, derretimento de geleiras e elevação do nível do mar. A cobertura de gelo também recua e os ecossistemas sofrem pressão.
Segundo a ONU, o oceano regula o clima e sustenta bilhões de pessoas com alimento. A avaliação alerta para pontos críticos de não retorno em habitats marinhos e pede cooperação multilateral mais forte.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que não se pode tratar o oceano como ilimitado. O texto ressalta a necessidade de decisões baseadas na melhor ciência disponível.
Aquecimento e nível do mar
O relatório aponta que 16% do aquecimento total desde 1955 ocorreu desde 2018. Os oceanos absorveram mais de 90% do calor extra e 30% do CO2. O nível do mar subiu de 2,0 para 4,3 mm/ano entre 2015 e 2023.
A expansão térmica da água empurra o nível do mar para cima, somada ao derretimento de geleiras. O aumento gradual, porém contínuo, impacta áreas costeiras e populações vulneráveis.
O Ártico pode perder a cobertura de gelo por parte do ano ainda neste século. A previsão completa inclui meses com gelo ausente, o que altera rotas marítimas e geopolítica entre potências.
Plásticos e impactos na vida marinha
A ONU destaca a necessidade de reduzir a produção de plásticos. Anualmente chegam 52,1 milhões de toneladas de resíduos aos oceanos, gerando cerca de 24,4 trilhões de partículas de microplástico.
Estudos indicam que microplásticos atingem mais de 4.000 espécies marinhas. Escores de espécies sofrem com deposição de resíduos e com a perda de recifes de coral, um dos ecossistemas mais ameaçados.
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