Um pé amputado de pepino-do-mar da espécie Psolus fabricii permaneceu funcional por pelo menos três anos, mesmo separado do corpo. A descoberta foi feita por uma equipe liderada por Sara Jobson, da Memorial University, no Canadá, ao estudar pés ambulacrários.
Os pesquisadores observaram que, quando cortados, esses pés continuam íntegros sem necessidade de higienização ou cultivo em laboratório, desde que fiquem em água do mar. Em outras palavras, os tecidos parecem imortais sob as condições do estudo.
A pesquisa, publicada na revista Science Advances no fim de maio, envolve pepinos-do-mar de águas frias do Atlântico e Ártico. Os celomócitos, células do sistema de defesa, migraram para as áreas feridas, auxiliando na cicatrização e na organização de diferentes tipos de tecido.
Durante o acompanhamento, verificou-se que o conjunto de tecidos do pé amputado absorvia aminoácidos dissolvidos na água, como se o órgão cortado pudesse “comer” para manter a viabilidade. A área ferida tornou-se parecida com o restante do pé em 1 a 2 meses.
Ao longo de meses, células com pigmentação vermelha passaram a se concentrar no centro ou nas laterais do pé, enquanto o tecido externo ficava translúcido. O pé, após encolhimento inicial, cresceu 12% ao final de um ano, superando o tamanho original.
Testes com outras espécies de pepinos-do-mar indicaram que nenhum outro grupo possui esse mesmo conjunto de capacidades de sobreviverem tecidos complexos por anos. A equipe sugere que substâncias produzidas pelo Psolus fabricii podem impedir infecções e microrganismos, ainda que sejam necessáriasNovos estudos para confirmar.
As implicações da descoberta podem avançar a pesquisa biomédica, oferecendo modelos de tecidos conectados entre pele, músculo, defesa e nervos, sem a necessidade de manter um organismo inteiro. A abordagem pode trazer insights úteis para terapias e engenharia de tecidos.
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