O Alzheimer representa seis em cada dez casos de demência globalmente, e projeções apontam que mais de 4 milhões de brasileiros viverão com a doença até 2050. Pesquisas avançam no diagnóstico e em fármacos que atuam nos mecanismos da doença, mas não há cura definitiva.
Os avanços incluem medicamentos que atuam não apenas nos sintomas, mas também em processos causadores do Alzheimer, como o acúmulo de proteínas tóxicas no cérebro. Ao mesmo tempo, estudos buscam exames de sangue que possam diagnosticar a doença de forma mais simples e acessível.
A origem da doença permanece em aberto. Embora o acúmulo de proteínas tóxicas seja central, quais proteínas, como e por que ocorrem ainda não estão totalmente esclarecidos. Pesquisadores identificam interações entre proteínas que podem favorecer a formação de estruturas tóxicas.
Uma pesquisa brasileira, publicada em Nature Communications Chemistry, investigou a interação entre as proteínas tau e TDP-43 dentro das células cerebrais. Os resultados indicam que conectores proteicos se recrutam mutuamente, facilitando a formação de agregados tóxicos usados como referência para caminhos de diagnóstico e tratamento.
Segundo pesquisadores, a relação entre essas proteínas pode abrir caminho para biomarcadores precoces e direcionar terapias que atinjam as regiões de interação. Mesmo sem confirmação de papel central, o estudo sugere novas linhas para entender a progressão da doença.
Diagnóstico mais preciso pode surgir com ferramentas biológicas. O diagnóstico clínico evolui para o biológico, com uso de marcadores, PET amiloide e punção lombar. Acurácia tem superado 95% em alguns procedimentos, mas ainda envolve custo alto e disponibilidade restrita. Exames de sangue são alvo de estudos, com limitações e riscos de interpretações imprecisas.
Especialistas destacam que a modernização diagnóstica não substitui exames invasivos, mas pode reduzir a depender apenas de sinais clínicos. Médica reconhece que o rastreio populacional ainda não é viável, enquanto a prática clínica busca aplicar ferramentas em pacientes com suspeita.
No campo terapêutico, dois anticorpos antiamiloides chegaram ao cenário clínico: donanemabe, aprovado em 2025, e lecanemabe, autorizado pela Anvisa em janeiro deste ano. Tratamentos injetáveis visam atrasar a progressão ao reduzir o acúmulo de proteínas tóxicas no cérebro; no Brasil, o uso está restrito a um grupo restrito de pacientes.
Relatos iniciais com 50 pacientes indicam estabilização da presença de beta-amiloides em oito em cada 10 casos, sinalizando potencial benefício — ainda em estudo, com custo elevado. Pesquisadores ressaltam a necessidade de ampliar evidência e acesso, com estudos que confirmem resultados na população brasileira.
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