O Ministério da Saúde suspendeu, nesta segunda-feira (8), a vacinação contra a dengue com a Butantan-DV após registrar 42 reações adversas graves e duas mortes entre 500 mil doses aplicadas desde janeiro. A relação causal ainda não foi confirmada, mas a interrupção foi anunciada para investigação.
A Butantan-DV foi aprovada após estudo com mais de 16 mil voluntários, de 2 a 59 anos, ao longo de cinco anos. A eficácia geral foi de 65% contra dengue sintomática e 80,5% contra casos graves. Não houve mortes ligadas à vacina no estudo.
Especialistas destacam que eventos raros costumam emergir apenas com a aplicação em larga escala. A vacinação em massa ativa a farmacovigilância, permitindo monitorar reações que não aparecem nos chamados ensaios clínicos.
Desde o início da campanha, 500 mil pessoas foram vacinadas. Entre elas, 3,7 mil tiveram sintomas leves não descritos na bula e 42 apresentaram sinais de alarme, incluindo as duas mortes ainda não associadas à vacina.
O Ministério da Saúde informou que a suspensão visa revisar a estratégia vacinal e confirmar se há relação entre as reações e o imunizante, com análise em andamento por um comitê técnico. A decisão envolve a Anvisa e o uso de farmacovigilância.
O cenário remete a episódios anteriores de farmacovigilância em vacinas, como acidentes com as vacinas da Covid-19, quando alertas levaram a ajustes de público-alvo ou suspensão temporária para investigação.
Se você foi vacinado, procure atendimento se presentar febre alta, dor abdominal, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência ou sinais de desidratação nos próximos 21 dias. Casos após esse período não costumam exigir, automaticamente, atendimento.
O Butantan informou que a vacinação permanece temporariamente interrompida para reavaliação, com foco na segurança da população. O instituto reafirmou o compromisso com a ciência, trabalhando com o Ministério da Saúde e a Anvisa para esclarecer os resultados e retomar a imunização assim que houver segurança.
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