A suspensão temporária da vacina contra dengue envolve apenas o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. Pessoas que receberam essa dose devem ficar atentas a sinais de alerta nos primeiros 21 dias após a aplicação.
O Ministério da Saúde informou que a suspensão não afeta a vacina contra dengue disponível no SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. O afastamento atinge exclusivamente o imunizante do Butantan, usado em profissionais de saúde e em projetos-piloto.
Diferenças entre as vacinas
A vacina amplamente aplicada nos postos é a Qdenga, da Takeda. Ela foi aprovada em 2023 e incorporada ao sistema público no final daquele ano. O Butantan desenvolve outra vacina, em estudo há 15 anos, com parceria com a MSD firmada em 2018 para acelerar o desenvolvimento.
A Qdenga utiliza vírus da dengue atenuado, com o foco no subtipo DEV-2. Já a vacina do Butantan envolve quatro tipos do vírus, em versões enfraquecidas, mantendo proteção contra todos os sorotipos.
Eficácia e indicações
A eficácia da Qdenga varia por idade e histórico de dengue, com até 63% contra doença sintomática e 85% contra internação em até 54 meses após a imunização completa. O Butantan apresenta 79,6% de eficácia média, com variações entre quem já teve dengue e quem nunca teve.
A Qdenga é indicada para crianças a partir de 4 anos, até 60 anos, independentemente de exposição prévia à dengue. O Butantan foi testado em pessoas de 2 a 59 anos, com apenas casos graves em 0,1% dos vacinados.
Esquemas de dose
A Qdenga exige duas aplicações, com intervalo de três meses entre elas. A distribuição ao SUS no país foi anunciada para esta semana, conforme a ministra da Saúde. Municípios devem organizar a vacinação após a chegada das doses.
A vacina do Butantan, segundo as fases 3, segue dois cenários: em geral, com duas doses, ou esquema de dose única, conforme os resultados não mostraram diferença significativa na resposta de anticorpos. A decisão final prioriza o registro regulatório e as orientações técnicas.
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