O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacina contra dengue desenvolvida pelo Butantan, a Butantan-DV. A medida ocorreu após a detecção de 42 reações graves e três casos críticos, incluindo dois óbitos, entre pessoas vacinadas.
A vacinação com Butantan-DV atingiu dois grupos: profissionais da atenção primária em saúde e moradores de 15 a 59 anos em cidades específicas. Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Araguaína (TO) foram os locais da estratégia ampliada.
Entre 17 de janeiro e 30 de maio, o Brasil aplicou cerca de 501 mil doses, com 417 mil em profissionais e 83 mil na estratégia ampliada. O monitoramento identificou eventos não observados nos estudos clínicos.
Casos graves e investigações
Os três casos graves ocorreram entre profissionais da saúde. O ministro Alexandre Padilha afirmou que nenhum caso grave ou óbito ocorreu nas cidades da vacinação ampliada. Uma das pacientes vitimadas evoluiu para meningoencefalite, sem relação comprovada com a vacina.
Caso 1: uma mulher de 39 anos apresentou sintomas seis dias após a vacinação e evoluiu para dengue grave, mas teve alta após tratamento. Caso 2: uma mulher de 48 anos desenvolveu meningoencefalite 19 dias após a imunização e faleceu. Caso 3: um homem de 58 anos faleceu quatro dias após início de quadro febril.
A pasta aponta que não há confirmação de causalidade entre a vacina e os óbitos. Os casos são considerados sinais de alerta e serão alvo de investigação aprofundada, com análise de histórico clínico, doenças preexistentes e outras causas.
Sintomas observados e monitoramento
Foram registrados 3.703 casos com sintomas semelhantes à dengue, como febre e dor no corpo. Além disso, 42 pacientes apresentaram reações graves, consideradas sinais de alarme. A frequência é superior à observada nos primeiros estudos, embora represente 0,008% dos vacinados.
Para quem já recebeu a dose há mais de 21 dias, a vacina mantém eficácia e não requer precauções especiais adicionais, pois a circulação do componente vacinal já se encerrou. Quem foi vacinado nos últimos 21 dias deve manter monitoramento ativo.
Orientações para vacinados e continuidade de ações
Quem completou 21 dias não precisa de medidas adicionais. Já os vacinados nos 21 dias seguintes devem observar sinais como dor abdominal, vômitos, sangramentos ou desorientação e buscar atendimento médico imediato, informando a vacinação.
A vacinação com Qdenga, da Takeda, segue em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos no SUS. O ministro destacou que contratos preveem volumosa aplicação de doses para este ano e o próximo, mantendo vigilância similar aos procedimentos da Butantan.
Próximos passos e responsabilidade
Butantan e Anvisa lideram um comitê de especialistas para depurar dados e ajustar estratégia ou público-alvo, se necessário. A coordenação busca garantir a segurança e transparência do PNI, preservando doses remanescentes para nova orientação.
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