O Ministério da Saúde interrompeu nesta segunda-feira, 8, a vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A decisão ocorreu após 42 casos de reações severas, com dois óbitos em investigação. A paralisação abrange a aplicação realizada no Brasil, informou o ministro Alexandre Padilha em coletiva.
Entre as vítimas, uma mulher de 48 anos desenvolveu dengue grave com meningoencefalite 19 dias após a vacinação. Um homem de 58 anos teve febre cinco dias após a imunização, evoluindo para dengue grave com choque refratário. Uma terceira pessoa apresentou quadro grave e foi internada em UTI, recebendo alta posteriormente.
A vacinação com o imunizante do Butantan começou em janeiro, em Botucatu (SP), Nova Lima (MG) e Maranguape (CE), com aplicação específica na região de Araguaína, no norte do Tocantins. A partir de fevereiro, a dose passou a estar disponível para profissionais da Atenção Primária em Saúde em todo o país, totalizando 417.432 das 501.044 doses aplicadas.
O Ministério da Saúde informa que a dengue continua combatida com a vacina Qdenga, produzida pela Takeda. A Qdenga foi aprovada pela Anvisa em 2023 e passou a ser oferecida pelo SUS no início de 2024, atingindo público de 3 a 60 anos. A diferença é que a Qdenga já tem histórico de uso mais amplo.
O Butantan divulgou nota explicando que a interrupção é temporária e visa reavaliar a estratégia vacinal de forma preventiva. A instituição ressalta que, até o momento, não há confirmação de relação causal entre as reações adversas e a vacina. A farmacovigilância continua, e o Butantan manterá o apoio ao Ministério da Saúde e à Anvisa.
Segundo o Instituto, a vacina apresentou eficácia global de 79,6% e 89% contra dengue grave em estudo internacional. Em Botucatu, Maranguape e Nova Lima o monitoramento de farmacovigilância não apontou grandes eventos adversos, até o momento. O Butantan reforça o compromisso com ciência e segurança, com testes adicionais em andamento.
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