A Terceira Avaliação Mundial dos Oceanos, publicada pela ONU em 8 de junho, alerta para a crise que afeta os mares, com mudanças climáticas, perda de biodiversidade e poluição. O relatório, elaborado com apoio de 550 especialistas, reúne 1600 páginas sobre o estado dos oceanos e suas consequências para o clima e as economias globais.
Dados recentes mostram que, em 2024, 37% da população mundial vivia a menos de 100 km de áreas costeiras. Esse entorno concentra atividades econômicas e residências, influenciando o manejo de resíduos e a degradação de habitats marinhos. O documento aponta que o aquecimento global eleva o nível do mar, com velocidade de subida voltando a acelerar nos últimos anos.
O relatório reforça que o Ártico registra aquecimento superior à média global, enquanto a elevação do nível do mar passou de 1,9 mm/ano (2015) para 4,3 mm/ano (2023). Mudanças térmicas afetam a vida marinha, reduzindo oxigênio disponível. No Caribe, cerca de 80% dos recifes de coral desapareceram desde a década de 1970.
Poluição plástica
O estudo evidencia que mais de 52 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos, gerando cerca de 24 trilhões de microplásticos. A parcela coletada na superfície ou em praias representa apenas 3 a 4% do total, com grande parte dispersa nas águas ou no fundo.
Caminhos e desafios
A ONU aponta que governanças e políticas já avançam em redução de emissões e proteção marinha, mas resta sair do papel com mais rapidez. Restaurar ecossistemas poderia contribuir com apenas cerca de 2% das metas globais de mitigação de mudanças climáticas.
A criação do Comitê Intergovernamental de Negociação sobre Poluição Plástica, em 2022, buscava um acordo mundial. Após seis anos de negociações, ainda não houve consenso entre os 193 Estados-membros da ONU.
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