Poucas coisas são tão reveladoras quanto encontrar alguém que compartilha do mesmo desencanto. Pesquisas indicam que odiar conjuntamente algo pode acelerar a percepção de proximidade entre pessoas, mesmo sem conhecê-las.
Em 2006, estudo conjunto das universidades do Texas e de Oklahoma acompanhou 120 jovens. Quando descobriam que alguém também detestava o mesmo, aproximavam-se mais dessa pessoa do que de quem gostava do objeto do desagrado. Não se tratava apenas de fofoca.
Para os autores, compartilhar atitudes negativas funciona como delimitação de grupos e elevação da autoestima, oferecendo pistas sobre quem possui tais atitudes. A amizade pode nascer da antipatia compartilhada, não apenas da simpatia.
Desenvolvimento científico
Em 2009, uma tese de mestrado na Universidade da Flórida sugeriu dois mecanismos: o ódio mútuo acelera o conhecimento sobre o outro e eleva temporariamente a autoestima, fortalecendo o senso de pertencimento. O efeito aparece mesmo em relações novas.
Mais recentemente, em 2026, pesquisadores da Universidade de Wenzhou, na China, mostraram que relações negativas podem mapear redes sociais. A antipatia compartilhada ajuda a enxergar alianças a partir de antagonismos mútuos, ainda que relações negativas pareçam, à primeira vista, prejudiciais.
Implicações políticas
Na arena política, o fenômeno se associa à nacionalização de eleições e ao crescimento do voto “contra” o adversário. Estudos de 2018 destacam que medo, rejeição e antipatia ao oponente movem eleitores modernos. A identidade política passa a funcionar como identidade social.
Ainda que pessoas votem em propostas distintas, o ódio mútuo por um adversário comum pode unir grupos com visões diferentes. A crítica concentrada em um candidato ou partido cria sensação de comunidade entre apoiadores.
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