Uma mulher de 80 anos com Alzheimer avançado apresentou melhora temporária em várias funções após a ingestão de cogumelos com psilocibina. O relato foi publicado em 27 de maio na revista Frontiers in Neuroscience, gerando debate sobre o uso de psicodélicos na doença.
O caso não envolve um estudo clínico com grupo de controle. Não há evidências de causalidade entre a psilocibina e melhoria duradoura. Autores alertam que se trata de um relato único, sem condições de confirmar eficácia ou reverter/atrasar a progressão da doença.
A paciente, de origem nipo-americana, recebia tratamento em clínica privada sob supervisão legal. Foram administradas 5 gramas de cogumelos da variedade Enigma, com efeitos imediatos de hipertermia e sono profundo, seguido por melhora significativa cerca de 19 horas depois.
Orientação clínica e desdobramentos
Ao longo dos dias seguintes, houve recuperação da continência urinária, maior mobilidade, comunicação mais espontânea e respostas emocionais mais expressivas. Familares relataram reconhecimento de familiares e atividades retomadas em parte de forma independente.
Diante dos ganhos observados, os responsáveis repetiram a intervenção com dose reduzida, 3 gramas, em sessão supervisionada. Nova sessão trouxe melhora na fluência verbal, expressões faciais e memória autobiográfica carregada de emoção.
Contexto científico
Pesquisadores destacam que a psilocibina é metabolizada em psilocina, atuando sobre receptores de serotonina que modulam humor, cognição e percepção. Estudos anteriores exploram usos em depressão, ansiedade e outros transtornos, mas não comprovam eficácia contra o Alzheimer.
O relato não explica por que houve melhoria e não conta com exames de neuroimagem ou marcadores da doença. Por se tratar de apenas uma pessoa, não é possível excluir variações naturais do quadro clínico. Pesquisadores defendem mais estudos controlados.
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