Na coluna desta semana, o professor Octávio Pontes apresenta um estudo publicado no Annals of Neurology, no qual participou. O trabalho introduz o conceito de fragilidade cerebral, que mede danos acumulados no cérebro ao longo da vida. A ideia é identificar sinais de envelhecimento cerebral acelerado, cicatrizes de AVCs antigos, atrofia e lesões dos vasos menores.
Segundo Pontes, a abordagem tradicional usa a idade cronológica para prognósticos, mas dois pacientes com a mesma idade podem ter cérebros muito diferentes. A fragilidade cerebral avalia o quanto o cérebro acumula danos, o que pode tornar a pessoa mais vulnerável a eventos como o AVC.
No estudo denominado Resilient, o foco foi a trombectomia mecânica para tratar o AVC isquêmico grave no sistema público brasileiro. O principal achado indica que a fragilidade cerebral teve influência maior nos resultados do que a idade medida em anos. Quando os dados foram ajustados, a idade perdeu relevância como fator independente, enquanto as lesões associadas à fragilidade persistiram como preditoras de piores desfechos.
A análise revelou ainda que aproximadamente metade do efeito negativo da idade sobre a recuperação é explicado pela maior carga de lesões cerebrais acumuladas ao longo da vida. Os resultados reforçam a importância de avaliar a fragilidade cerebral na prática clínica, especialmente em pacientes elegíveis para intervenção rápida em AVC.
O Minuto do Cérebro
A coluna do professor Octávio Pontes Neto vai ao ar quinzenalmente, às terças, na Rádio USP, e também está disponível no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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