O estudo apresentado no congresso da Endocrine Society, nos Estados Unidos, sugere que o IMC pode deixar de identificar parte da população com excesso de gordura e maior risco metabólico. Segundo os pesquisadores, mais de um quarto das pessoas com IMC na faixa considerada normal teriam obesidade sob critérios mais amplos.
A pesquisa analisou dados de adultos americanos, incorporando medidas de composição corporal e sinais de comprometimento da saúde. Além do IMC, foram considerados percentual de gordura, circunferência abdominal e alterações metabólicas.
O IMC, criado no século XIX, é calculado pela relação peso/altura ao quadrado. Ele não diferencia massa muscular de gordura nem informa onde a gordura se acumula, dificultando a identificação de riscos associados à gordura visceral.
Essa limitação reacende o debate sobre redefinir o diagnóstico de obesidade. Especialistas defendem incluir fatores como gordura corporal, distribuição da gordura e manifestações metabólicas no diagnóstico.
Implicações para diagnóstico e saúde pública
Mesmo com limitações, o IMC continua útil para rastreamento populacional e avaliações iniciais. O risco cardiometabólico deve ser avaliado com outros indicadores, como circunferência da cintura e exames laboratoriais.
A adoção de critérios mais amplos poderia permitir identificação precoce de pessoas que não recebem orientação adequada apenas com o IMC normal, diminuindo lacunas de cuidado.
A principal mensagem é que um peso considerado normal pode ocultar riscos reais. O excesso de gordura pode estar invisível ao peso, mas impacta o organismo de forma mensurável.
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