O Instituto Butantan continua o estudo da vacina contra a dengue em idosos, mesmo após a suspensão temporária do uso da Butantan-DV. A decisão de manter a pesquisa foi tomada em articulação com o Ministério da Saúde e a Anvisa, afirma o diretor Esper Kallás.
O estudo, realizado na zona oeste de São Paulo, recruta voluntários de 60 a 79 anos desde janeiro de 2026. Serão 997 participantes em quatro centros, com 767 aptos a receber a vacina ou o placebo. O restante terá faixa etária entre 40 e 59 anos para avaliação adicional.
O objetivo é verificar segurança e resposta imune da vacina em idosos, comparando com adultos. Até o momento, 75% dos voluntários já recebeu a imunização, com maioria há mais de 21 dias desde a aplicação.
Avanços e cautela
A suspensão foi motivada pela identificação de 42 episódios de reações adversas severas, incluindo três casos graves e duas mortes. A agência reguladora e o ministério informaram que não houve ligação comprovada entre os eventos e o imunizante nos locais avaliados.
Segundo o Butantan, a medida é cautelar e não encerra o processo de avaliação da vacina. O instituto ressalta a importância de entender se os eventos surgem apenas em determinados cenários ou se indicam necessidade de ajustes.
Peritos destacam que a dengue concentra maior gravidade em extremos de idade. O Butantan-DV utiliza vírus atenuado para oferecer proteção, ainda considerada desafiadora pela complexidade de englobar quatro sorotipos da doença.
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