Após a aplicação de cerca de 501 mil doses da vacina Butantan-DV, contra a dengue, o sistema de farmacovigilância identificou 42 reações raras, equivalentes a 0,008% dos vacinados. Três casos foram graves e dois evoluíram para óbito. A relação causal ainda não está comprovada.
A suspensão temporária visa investigar possíveis eventos adversos, avaliando comorbidades, fatores de risco e outras explicações. Embora não haja confirmação de ligação entre as mortes e a vacina, o sinal de alerta enseja a medida de prevenção para resguardar a segurança.
Apesar do freio no Butantan, o Brasil não ficou sem proteção contra a dengue. O SUS segue com a vacina Qdenga, da Takeda, para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, com ampliação para todos os municípios desde janeiro de 2026. O esquema envolve duas doses, com intervalo de três meses.
Dados e contexto
Em cinco anos, a dengue no Brasil causou ao menos 10.511 óbitos, segundo dados oficiais. Em 2024 ocorreu a maior epidemia da história do país, reforçando a gravidade da doença. A incidência elevada sustenta a importância da vacinação como estratégia de defesa coletiva.
A cada mortalidade associada a uma vacinação, é essencial considerar cuidadosamente a investigação, para evitar que um caso isolado ofusque o tamanho da ameaça da dengue. A farmacovigilância desempenha papel central nesse processo.
Perspectiva e próximos passos
Caso as investigações identifiquem risco específico, será necessário entender quem está mais vulnerável, a frequência real do evento e se ajustes na estratégia são necessários. A abordagem baseada em dados busca equilíbrio entre proteção e segurança.
O debate público sobre vacinas não deve deslegitimar a imunização. A ciência depende de monitoramento constante, transparência e evidências para manter a confiança na imunização como ferramenta de saúde pública.
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