A Reunião Anual da ASCO 2026, em Chicago, trouxe novidades sobre tratamentos oncológicos, hábitos de vida e usos de fármacos já conhecidos. O evento mostrou avanços no câncer de pâncreas, além de novas indicações terapêuticas e pesquisas sobre estilo de vida no cuidado ao paciente.
O estudo de fase 3 RASolute-302, com 500 pacientes, mostrou que daraxonrasib dobrou a sobrevida em comparação com quimioterapia. Os pacientes tinham adenocarcinoma ductal de pâncreas metastático que já haviam passado por tratamento anterior.
O painel avaliou tempo de sobrevida, controle da doença e efeitos colaterais. O medicamento reduziu o risco de morte e estendeu o período de resposta. A terapia também retardou o surgimento de dor e a queda da qualidade de vida.
O estudo aponta a via RAS como alvo terapêutico relevante para múltiplos tumores. Alterações em KRAS, NRAS e HRAS são comuns em pancreas, pulmão, colorretal e vias biliares, abrindo caminho para estratégias aplicáveis a vários órgãos.
Novas indicações para medicamentos já conhecidos
A ASCO destacou o estudo PROTEUS, com 2.109 pacientes com câncer de próstata localizado de alto risco. A apalutamida associada à terapia hormonal foi avaliada antes e depois da cirurgia.
Resultados mostraram alto ganho na taxa de resposta patológica e redução do risco de recorrência. A pesquisa também indicou maior probabilidade de controlar a doença antes da operação.
Em outro ensaio, TALAPRO-3 avaliou combinações em câncer de próstata metastático com alterações nos genes de reparo de DNA. A adição de talazoparibe a enzalutamida mostrou maior tempo sem progressão da doença.
Terapias-alvo com maior alcance
Estudos em diferentes tumores mostraram avanços em terapias-alvo, imunoterapias e ADCs, que dirigem a droga até células tumorais por meio de anticorpos específicos. Especialistas destacam que esses tratamentos ganham espaço em ovário, bexiga, próstata, mama e pulmão.
O uso de ADCs é apontado como tendência principal, com foco em manter eficácia e reduzir efeitos adversos. Pesquisadores também ressaltam o impacto em pacientes com alterações genômicas acionáveis.
Ainda segundo especialistas, o acesso aos tratamentos continua sendo o principal obstáculo. O custo elevado limita a disponibilidade, especialmente em países de baixa e média renda.
Estilo de vida como parte do tratamento
Entre os destaques, estudos sobre estilo de vida mostraram efeitos positivos no controle da doença. Um programa de exercícios em pacientes com câncer de cólon mostrou redução de recorrência e melhora de tolerância ao tratamento.
Outro estudo, realizado na Itália com 492 mulheres com câncer de mama em estágio inicial, avaliou dieta mediterrânea, baixo índice glicêmico, caminhadas e vitamina D. Resultados indicaram menor recorrência em pacientes com adesão mais intensa.
As equipes ressaltam que hábitos saudáveis podem influenciar desfechos oncológicos. A prática regular de atividade física e alimentação equilibrada passam a fazer parte da orientação clínica, complementando tratamento médico.
A comunidade médica ressalta a necessidade de ampliar o acesso a tratamentos inovadores. Médicos também destacam a importância de combinar terapias modernas com estratégias de estilo de vida para melhorar qualidade de vida e sobrevivência.
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