Quando insetos tocam os pelos internos da armadilha da dioneia (Dionaea muscipula), a folha fecha de forma rápida, prendendo a presa. Um estudo publicado nesta quinta-feira revela o mecanismo por trás desse movimento.
A pesquisa, conduzida em Marselha, na França, utilizou imagens de alta velocidade, medições e modelagem mecânica para entender o fechamento. Os cientistas descartaram a teoria de simples redistribuição de água entre células como causa principal.
Os autores mostram que a amolecimento rápido das paredes celulares na camada externa da armadilha inicia o fechamento. O processo ocorre em menos de um segundo, podendo completar-se em cerca de 0,1 segundo após estímulo adequado.
Detalhes do estudo
Segundo os pesquisadores, os pelos gatilhos situados no interior da armadilha detectam dois toques em curto intervalo de tempo, o que dispara o estalo de fechamento. O movimento é resultado de uma armação mecânica previamente carregada na folha.
O amolecimento das paredes ocorre em torno de 30 a 40% na camada epidérmica externa, liberando tensões internas do tecido. Esse relaxamento facilita a curvatura da armadilha, que se fecha e isola o inseto.
Ao concluírem o fechamento, a planta retém a presa para a digestão do líquido nutritivo produzido pelo processo. Posteriormente, a armadilha reabre, deixando apenas o exoesqueleto vazio do inseto.
Os pesquisadores ressaltam que a dioneia utiliza um mecanismo de movimentação baseado na modulação dinâmica das propriedades mecânicas do próprio tecido. A descoberta pode inspirar o desenvolvimento de robôs flexíveis e materiais inteligentes no futuro.
Os autores indicam que a rapidez de fechamento da armadilha é notável do ponto de vista evolutivo, já que a captura ocorre em escalas temporais de aproximadamente um segundo. A pesquisa também amplia o entendimento sobre a variedade de estratégias evolutivas entre plantas carnívoras.
Entre na conversa da comunidade