Nos laboratórios brasileiros, a nanotecnologia começa a transformar o monitoramento da água. Pesquisadores do INCT NanoAgro desenvolvem nanosensores que detectam pesticidas, hormônios, antibióticos e metais pesados em concentrações muito baixas, com potencial de tornar a análise mais rápida, prática e acessível.
Os resultados apontam para uma melhoria em relação aos métodos tradicionais, caros e dependentes de laboratórios especializados. A proposta é ampliar o monitoramento para rios, lagos e reservatórios, beneficiando comunidades, produtores e gestores públicos.
Os pesquisadores Diego Maroso da Silva, Clarice Steffens e Juliana Steffens descrevem aplicações de sensores eletroquímicos, ópticos e biossensores em ambientes aquáticos. A obra que revela o estudo foi publicada em 2026 no capítulo Nanosensores Avançados para Detecção de Pesticidas em Água.
Avanços e metas
Juliana Steffens explica que sistemas convencionais de tratamento não eliminam plenamente contaminantes emergentes. Compostos como pesticidas e hormônios podem chegar a corpos d’água por lixiviação e escoamento, às vezes gerando metabólitos mais problemáticos.
Segundo a pesquisadora, a detecção atual depende de cromatógrafos caros e especializados. Os nanosensores prometem leitura mais rápida, direta e, em alguns cenários, mais barata, com uso potencial em campo.
A equipe testa materiais como grafeno e ouro para aumentar a sensibilidade dos sensores. O objetivo é avançar do protótipo laboratorial para equipamentos portáteis capazes de monitorar a qualidade da água no local, em tempo real.
Desafios práticos
A transição entre pesquisa e implantação envolve estruturar sistemas com múltiplos sensores integrados. O foco é permitir que comunidades próximas a rios recebin informações sobre a presença de chumbo ou pesticidas sem depender de laboratórios centrais.
Além disso, os pesquisadores apontam a necessidade de mão de obra qualificada para acelerar o desenvolvimento. Recursos existem, mas há carência de profissionais para conduzir as pesquisas em larga escala.
No campo agrícola, a nanotecnologia avança em sensores para detectar feromônios de percevejos em lavouras de soja. A ideia é ampliar a aplicação localizada de inseticidas, reduzindo custos, impactos ambientais e contaminação da água.
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