A edição de 21 de maio de 2026 da revista Nature traz um editorial sobre o papel da inteligência artificial na ciência: por que a IA não faz boa ciência sem a participação humana. Dois estudos recentes mostraram que sistemas autônomos aceleram a busca por fármacos, mas o texto reforça que a presença humana continua essencial no processo científico.
A ideia central é que a IA é uma ferramenta poderosa, capaz de processar grandes volumes de dados, identificar padrões e sugerir hipóteses. Ainda assim, o valor científico depende de quem a utiliza, para quê e com qual nível de compreensão. A autonomia total não é desejável.
A ciência se move entre pergunta, resposta e nova pergunta. Delegar esse movimento apenas a máquinas não aumenta a compreensão, nem a qualidade do conhecimento. O editorial afirma que manter a supervisão humana é fundamental para o rigor e a ética da pesquisa.
Contexto institucional na USP
Na USP, o Grupo de Pesquisa em Governança de Agentes de Inteligência Artificial (GPGAIA) atua desde 2025 com foco em riscos éticos, governança e responsabilização, vinculado à Cátedra Oscar Sala no Instituto de Estudos Avançados. O CIAAM consolidou-se como polo estratégico da Reitoria para IA e ML.
A Cátedra IA Responsável, lançada em parceria com o Google em 2025, coloca a universidade em posição de protagonismo no debate nacional sobre IA. As iniciativas indicam competência e atuação coordenada entre unidades da instituição.
Desafios práticos e acesso a ferramentas
O editorial destaca que muitos pesquisadores da USP já usam ferramentas de IA de terceiros, por disponibilidade e alcance. O risco está na falta de controle institucional sobre dados inseridos e na possível exposição de informações sensíveis a sistemas de treinamento externos.
Em evento realizado em 28 de abril de 2026, o USP Talks – Research Security discutiu que a segurança na pesquisa não é obstáculo à ciência, mas condição para atuação sustentável e confiável no cenário global.
Caminho para um uso mais seguro
A resposta, segundo o texto, não é proibir a IA, e sim promover acesso qualificado a plataformas com políticas claras de uso e proteção de dados. A ideia é oferecer orientação mínima sobre boas práticas, sem burocracia excessiva, para que estudantes, técnicos, pesquisadores e docentes usem as ferramentas com competência.
O editorial encerra ressaltando que — embora a IA possa acelerar descobertas — a sabedoria, a curiosidade e a responsabilidade ética, desenvolvidas por equipes ao longo de décadas, são atividades humanas. Preservá-las é condição para que o progresso tenha valor.
Entre na conversa da comunidade