Em Alta Eleições 2026 PolíticaNotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasConflitoseconomiaFutebol

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Demências, o maior desafio do envelhecimento

À medida que o Brasil envelhece, as demências surgem como principal desafio de saúde, sobrecarregando famílias cuidadoras e o SUS sem preparo para a crise

Drauzio Varella
0:00
Carregando...
0:00

O Brasil vive um envelhecimento acelerado. Em 2022, a população com 65 anos ou mais já somava cerca de 22 milhões, frente a 20 milhões em 2010. O índice de envelhecimento subiu de 30% para 55% entre 2010 e 2022, segundo dados demográficos nacionais.

A pirâmide etária vem se invertendo. Com queda na fecundidade, a base se estreita e o topo se amplia, mudando o padrão de crescimento demográfico. Diferentemente de países desenvolvidos, as mudanças ocorrem em um tempo mais curto no Brasil.

Essa transição traz impactos na sociedade, na Previdência e na saúde. Hoje, grande parte dos atendimentos no SUS envolvem doenças crônicas, vinculadas a hipertensão, diabetes e obesidade. O sistema público não foi dimensionado para esse cenário.

O desafio das demências

Entre os problemas do envelhecimento, as demências se destacam pela gravidade para famílias e cuidadores. Quando surge a incapacidade de realizar atividades diárias, a responsabilidade recai sobre pessoas próximas, em especial mulheres que interrompem carreira e vida pessoal.

Relatos de especialistas indicam que o país ainda carece de rede de apoio robusta para cuidadores e de estratégias públicas para o manejo dessas condições. A falta de serviços especializados agrava o desgaste diário de famílias.

Joana foi a última paciente atendida naquele dia na Penitenciária Feminina de São Paulo. Ela acompanhava a mãe, moradora da região de Guaianases, que enfrentava demência e dependência para atividades simples.

A mãe de Joana costumava sair para o trabalho da filha, que iniciava o dia cedo e voltava ao fim da tarde. O avanço da demência deixava a mãe insegura na rua, aumentando a necessidade de busca por auxílio na vizinhança.

Para manter as duas, Joana alugou uma corda para amarrar a mãe em momentos de locomoção, permitindo deslocamentos limitados dentro do entorno familiar. Em casa, ela organizava refeições e cuidados, conciliando trabalho com cuidado diário.

Um vizinho fez denúncia, e Joana foi presa por maus-tratos. Internada na ala do seguro, ela relatou, de forma resignada, que acabou “parando na cadeia da cadeia”, numa situação que expõe o peso do cuidado não assistido.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais