Um grupo de marinheiros taiwaneses, indígenas do povo Tao, remou uma canoa de madeira até as Filipinas, usando as estrelas para navegação e enfrentando águas agitadas. A travessia ocorreu de 15 para 16 de segunda para terça-feira, partindo da Ilha das Orquídeas rumo à Ilha Batan, no extremo norte das Filipinas.
60 remadores participaram da jornada, revezando-se para vencer correntes fortes. A embarcação, chamada Ovayan ou Amizade de Ouro, foi construída com técnicas tradicionais por mais de 200 pessoas de seis comunidades, sem o uso de pregos.
A ação busca reviver uma rota marítima antiga da Grande Migração do Pacífico, cuja origem é associada a Taiwan. As autoridades e pesquisadores veem a empreitada como uma reconstrução histórica com foco cultural.
A chegada foi recebida com apresentações de tambores e dança, marcando o retorno de uma rota pouco explorada há cerca de 300 anos. O governo de Taiwan apoiou o projeto, segundo a imprensa local.
A narrativa científica aponta Taiwan como ponto de origem de várias línguas austronésias e de populações que se espalharam pelo Pacífico. Estudiosos destacam ligações genéticas e linguísticas entre povos de Taiwan e comunidades do Havaí, de Fiji e da Ilha de Páscoa.
Contexto histórico e linguístico
Especialistas afirmam que a migração austronésia ocorreu há milhares de anos, com evidências arqueológicas e fósseis que sustentam a teoria. Pesquisadores destacam competências de navegação, manejo de alimentos a bordo e uso de conhecimento astronômico.
A teoria “Fora de Taiwan” é amplamente aceita por muitos especialistas, mas tem sido contestada por acadêmicos da China continental. O debate envolve evidências históricas, genéticas e linguísticas, com implicações políticas na região.
O povo Tao é um dos menores grupos indígenas de Taiwan, com cerca de 5.120 pessoas. A participação de comunidades locais reforça o papel de Taiwan na história da migração austronésia.
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