O ômega-3 em suplementos não mostrou melhoria na memória, cognição ou na perda de células cerebrais em um estudo clínico recente. Participaram 365 adultos entre 55 e 80 anos sem demência, com fatores de risco e baixos níveis de ômega-3 no começo. O ensaio comparou óleo de algas em alta dose com placebo por 24 meses.
O estudo foi conduzido para avaliar se aumentar o ômega-3 no cérebro traz ganhos cognitivos. Mesmo com o aumento demonstrado nos níveis de DHA no sangue e no líquido cefalorraquidiano, não houve benefício mensurável na cognição nem na função do hipocampo. Os resultados foram publicados na ebioMedicine.
Estudo e resultados
O grupo tratado recebeu 2.000 mg/d de DHA em suplemento de algas; o grupo controle recebeu placebo, ambos com vitamina B. Ao fim do período, não houve diferença estatística em testes cognitivos entre os dois grupos. O aumento de EPA/DHA no cérebro não se traduziu em melhora cognitiva.
Contexto e interpretações
O pesquisador principal, Hussein Yassine, aponta que hábitos de vida saudáveis podem ter efeito maior. Exercícios, sono de qualidade e dieta baseada em plantas, aliados ao consumo de peixes gordos, aparecem como medidas mais eficazes para a cognição.
Comentários de especialistas
Um segundo pesquisador, Richard Isaacson, ressalta que ômega-3 continua essencial para saúde cerebral, especialmente para portadores do gene APOE4. No entanto, o estudo sugere limitações quando há estilos de vida pouco saudáveis, como sedentarismo e dieta ultraprocessada.
Perspectivas da indústria e dúvidas
A GOED destacou que o conjunto de evidências ainda é amplo, com revisões que apontam efeitos protetores em alguns estudos. Mencionou também a necessidade de considerar resultados em contextos variados e de não interpretar apenas um único estudo.
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