A Anvisa autorizou o uso da tirzepatida para o controle do diabetes tipo 2 em pacientes entre 10 e 17 anos. O medicamento, princípio ativo do Mounjaro, passa a ser o primeiro da classe de agonistas duplos dos receptores GIP e GLP-1 liberado no Brasil para crianças e adolescentes.
A decisão ocorreu com base em estudos clínicos que avaliaram segurança e eficácia em jovens. Um deles, publicado em 2025 na Lancet, acompanhou 99 adolescentes com média de 14,7 anos, em 8 países. O grupo recebeu diferentes doses ou placebo, por 33 semanas, com melhora glicêmica e redução do IMC, mantidas ao longo de um ano.
Dados de saúde pública preocupam: a obesidade entre adolescentes cresceu no Brasil de 2009 a 2025, passando de 74.972 para 986.058 casos, alta de cerca de 1.2 mil por cento. Estimativas de 2019 apontaram 213 mil jovens com diabetes tipo 2 e 1,4 milhão com pré-diabetes.
Uso em adolescentes
A autorização da Anvisa decorre de resultados que indicam eficácia no controle glicêmico e na redução de peso entre jovens com o diabetes já estabelecido. O relatório de estudos ressalta que a medicação não é indicada para emagrecimento, conforme orientações de especialistas.
Entre os cuidados, pesquisadores destacam efeitos colaterais comuns como náuseas, vômitos, constipação e diarreia. Casos de hipoglicemia devem ser monitorados, principalmente em pacientes já em tratamento com insulina ou metformina.
Acompanhamento e restrições
A tirzepatida pode exigir exames periódicos para monitorar pâncreas e vesícula biliar, além de orientar sobre interação com métodos contraceptivos. A medicação é contraindicada para alergias à fórmula ou histórico de determinadas neoplasias endócrinas.
O tratamento precisa ser individualizado, com ajuste de dose conforme tolerabilidade e necessidade do paciente, sob supervisão médica próxima. A autor da orientação é a endocrinologista responsável pelo acompanhamento de jovens pacientes.
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