Pessoas próximos fisicamente e com maior familiaridade tendem a apresentar batimentos cardíacos sincronizados, especialmente em atividades compartilhadas. O estudo, publicado na PNAS Nexus, analisa esse alinhamento fora do laboratório.
Cientistas acompanharam 72 estudantes em três viagens de quatro dias a Nova York. Eles usaram pulseiras de batimento, aparelhos de áudio com microfones e smartphones para registrar localização, sons e interações.
Ao todo, foram reunidas mais de mil horas de dados fisiológicos, acústicos e espaciais, permitindo observar como os corpos respondem a situações sociais do cotidiano.
Proximidade física e relações prévias
Os batimentos tendem a se alinhar quando as pessoas estão a menos de 20 metros umas das outras. O estudo aponta que essa sincronização é maior entre indivíduos socialmente conectados, mesmo em ambientes comuns.
Amigos entre as pessoas estudadas apresentaram níveis mais altos de sincronização do que desconhecidos, indicando que vínculos prévios favorecem o alinhamento fisiológico.
Ambiente sonoro e tipo de atividade
A sincronização foi mais forte em atividades de interação direta, como jogos e discussões em grupo, e durante palestras onde todos concentram a atenção em um mesmo estímulo.
Em contextos mais dispersos, como recepções ou refeições com pequenos grupos, os níveis de sincronização diminuíram, sugerindo que atenção compartilhada é crucial para o fenômeno.
O estudo também mostrou que locais silenciosos ou com boa acústica aumentaram a sincronização, enquanto ruídos intensos reduziram o alinhamento dos batimentos.
Esses resultados ajudam a entender como estados de atenção, emoção e envolvimento social aparecem de forma fisiológica, fora de laboratórios controlados.
Os autores ressaltam o potencial da sincronização cardíaca como ferramenta para estudar dinâmicas de grupos, ambientes e dificuldades auditivas na participação social.
Fonte: estudo publicado na PNAS Nexus, com dados coletados durante viagens de campo nos EUA.
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