O consumo de bebidas açucaradas na infância pode estar ligado a um maior risco de hipertensão na vida adulta. Estudo de longo prazo acompanhou cerca de 25 mil jovens americanos por 25 anos e avaliou hábitos alimentares e estilo de vida.
Os participantes responderam a questionários sobre o que bebiam e comiam, em intervalos de um a quatro anos. Dados apontaram relação entre padrões de consumo na juventude e pressão alta futura, mesmo ajustando fatores como peso e atividade física.
O estudo, publicado na Circulation, considera bebidas açucaradas como refrigerantes, sucos adoçados, chás prontos e isotônicos com açúcar. Os resultados destacam o papel dessas bebidas na saúde cardiovascular ao longo do tempo.
Associação observada e limitações
A pesquisa mostra Associação, não causalidade. Dados foram correlacionados com medições de peso, altura, pressão arterial e hábitos de vida, controlando fatores de risco, mas não elimina todas as variáveis possíveis.
Quem bebe duas ou mais porções diárias tem 52% de maior risco de hipertensão do que quem consome menos de três vezes por semana. Em sucos, o aumento foi de 35% para mais de um copo e meio diário.
Entre os sucos, o suco de laranja teve o pior desempenho, com 20% a mais de probabilidade de hipertensão. Os autores destacam que o açúcar é concentrado e as fibras da fruta inteira costumam faltar.
Substituições simples podem reduzir riscos
Trocar uma porção diária de bebida açucarada por fruta inteira reduziu o risco em 22%. Substituir por água ou leite mostrou queda de 13% na probabilidade de pressão alta.
Exemplos práticos sugeridos incluem: dar prioridade a frutas in natura; optar por água ou água com gás; incluir leite ou laticínios com baixo açúcar; reduzir energéticos adoçados.
Os autores ressaltam que a hipertensão é multifatorial, envolvendo genética, atividade física, consumo de sal e padrão alimentar. O estudo aponta bebidas açucaradas como um dos componentes relevantes ao longo do tempo.
Implicações para políticas públicas
A pesquisa não propõe proibições, mas sugere monitorar ingestão de bebidas com alto teor de açúcar. A análise de 25 anos acrescenta evidências sobre como escolhas na infância podem impactar a pressão arterial décadas depois. Fontes da pesquisa são citadas na publicação.
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