A UFMG está conduzindo uma pesquisa sobre o acolhimento ao luto no Brasil. O estudo busca voluntários que perderam entes queridos entre 2020 e 2025 para embasar novas estratégias de cuidado psicológico. O projeto é coordenado pela doutoranda Gislaine Leoncio Motti, sob orientação de Ingrid Faria Gianordoli-Nascimento.
A iniciativa, ligada ao Programa de Pós-graduação em Psicologia da universidade, pretende mapear representações da morte entre o luto e o trauma. O objetivo é fortalecer redes de apoio e romper tabus que cercam a morte na sociedade brasileira.
Especialistas ressaltam a importância de criar espaços de fala sobre o tema. A psicóloga Daniela Bittar aponta que o velório facilita o compartilhamento, mas o silêncio após os rituais pode intensificar a dor. O luto é apresentado como processo natural, sem prazo fixo.
A pesquisadora destaca que acontecimentos recentes mostram a necessidade de apoio contínuo. O estudo propõe identificar caminhos mais eficazes de acolhimento e a intermediação entre familiares e serviços de saúde mental.
Ações para o acolhimento
Profissionais e organizações vêm ampliando o suporte via canais digitais. Redes sociais ajudam a manter vínculos com quem partiu, segundo Bittar, que cita a utilidade de plataformas para memória e reconexão.
O Grupo Zelo, maior empresa de serviços funerários do país, investe em conteúdos de enfrentamento ao luto. Entre iniciativas estão conteúdos informativos, podcasts e o Portal Além da Perda, que visam reduzir o estigma sobre a morte.
O diretor Alessandro Oliveira afirma que o objetivo é oferecer um ambiente seguro para o luto, tanto no espaço físico quanto no digital. A partir dessas práticas, a ideia é transformar a experiência de perda em um processo mais humano e respeitoso.
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