Um estudo recente, publicado na Scientific Reports, aponta que a associação entre DPOC e Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono aprofunda a fraqueza muscular e aumenta o risco de internações e morte. Os pesquisadores destacam que a combinação agrava a função física além dos principais sintomas respiratórios.
A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da UFSCar, com participação de Audry Borghi Silva, coordenadora do Laboratório de Fisioterapia Cardiopulmonar. O estudo envolveu 44 voluntários, sendo metade com DPOC isolada e a outra metade com as duas condições simultâneas. Os resultados mostram quedas marcantes na capacidade física do grupo com comorbidades.
Resultados práticos
Na força de preensão das mãos, a média caiu de 30 kgf em DPOC isolada para 26 kgf quando a apneia também estava presente. Na caminhada de seis minutos, o grupo com as duas doenças percorreu, em média, 300 metros, frente a 364 metros do grupo apenas com DPOC. Distâncias abaixo de 350 metros costumam indicar maior risco de internação e mortalidade.
Mecanismo fisiopatológico
A gravidade da apneia não está apenas no número de pausas respiratórias, mas no Índice de Dessaturação de Oxigênio (IDO), que mede a queda de oxigênio no sangue durante a noite. Patrícia Faria Camargo aponta que a hipoxemia noturna pode agir como mecanismo central de perda de massa e função muscular, envolvendo estresse oxidativo, inflamação sistêmica e disfunção metabólica muscular.
Implicações para tratamento
Apesar de a DPOC não ter cura, ela pode ser bem controlada com tratamento adequado, prática de atividade física e alimentação saudável, além da interrupção do tabagismo. A apneia do sono requer tratamento específico, com uso noturno de CPAP para manter a oxigenação das vias aéreas. Medidas de higiene do sono e evitar álcool ou sedativos antes de dormir também ajudam a manter o equilíbrio respiratório e a qualidade de vida.
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