O estudo da SOS Mata Atlântica revelou contaminação em toda a extensão do Rio Tietê, desde a nascente até a foz, após uma expedição realizada entre 9 e 14 de junho de 2024. A iniciativa percorreu mais de 1.100 quilômetros, ligando Salesópolis à confluência com o rio Paraná, com o objetivo de avaliar a qualidade da água em diferentes trechos.
Foram coletadas amostras em 14 pontos ao longo do rio, e os resultados indicaram presença de microplásticos em todas as localidades, além de 25 tipos de agrotóxicos e 16 substâncias entre fármacos e drogas ilícitas. A análise aponta múltiplas camadas de contaminação atuando em conjunto ao longo da bacia.
A pesquisa aponta uma composição de impactos que envolve aspectos microbiológicos, químicos, farmacológicos, plásticos, agrícolas e organícos. Fatores como urbanização, saneamento insuficiente, uso agrícola, reservatórios e ocupação do solo aparecem como pressões relevantes ao longo do trajeto.
Entre os poluentes, os microplásticos variaram de 330 a 23.587 partículas por metro cúbico, com maior concentração em trechos urbanos como Osasco e em reservatórios do interior, como Promissão. Barragens funcionam como zonas de retenção, elevando a quantidade de partículas.
As substâncias entre fármacos e drogas ilícitas incluem cocaína e seu metabólito, além de analgésicos e anti-hipertensivos. A cafeína também foi detectada em todos os pontos, fortalecendo o marcador de poluição por esgoto doméstico.
A presença de 25 tipos de agrotóxicos, incluindo atrazina, indica influência agrícola ao longo do Médio e Baixo Tietê, com cana-de-açúcar, soja e citrus como culturas predominantes. Em alguns trechos, os níveis superam limites legais.
Análises químicas também mostraram metais acima do permitido, como cobre em todos os pontos analisados e alumínio em várias áreas. Esses metais podem ser tóxicos à vida aquática, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo.
O diagnóstico bioquímico evidencia sinais de contaminação fecal, patógenos e resíduos de medicamentos. Em trechos da nascente, alguns indicadores chegaram a exceder até 40 vezes o limite para rios de melhor qualidade, configurando o rio como indicador das condições sanitárias da região.
A SOS Mata Atlântica ressalta que a recuperação do Tietê exige abordagem integrada: ampliar saneamento, reforçar fiscalização, planejar o uso do solo, monitorar a qualidade da água e envolver governo, municípios, comunidades e produtores.
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