Na Unifesp, a pesquisadora Camille Perella Coutinho comenta as hipóteses sobre como o café pode favorecer a saúde dos neurônios. Estudos recentes associam o consumo da bebida a menor risco de declínio cognitivo e demência, incluindo Alzheimer, conforme reportagem anterior da VEJA. Em geral, dados observacionais apontam essa relação.
Segundo Coutinho, a bebida é rica em compostos bioativos além da cafeína, como polifenóis. Esses elementos teriam ação antioxidante e anti-inflamatória, potencialmente reduzindo estresse oxidativo e inflamação crônica associada ao envelhecimento cerebral. A atuação conjunta de cafeína, ácidos clorogênicos e outros componentes é considerada relevante.
Mecanismos propostos
Os polifenóis do café, especialmente clorogênicos, podem modulados vias celulares da sobrevivência neuronal. A hipótese é que reduzam danos oxidativos, modulando inflamação e ajudando a manter a função cerebral com o passar dos anos. Ainda, a cafeína pode favorecer a comunicação entre neurônios ao bloquear receptores de adenosina, o que pode impactar a plasticidade cerebral.
Outra linha foca no eixo intestino-cérebro. Compostos fenólicos do café podem modular a microbiota, estimulando produção de butirato e fortalecendo a barreira intestinal. Transformações pela microbiota podem gerar moléculas com efeito neuroprotetor, sugerindo que parte dos benefícios ocorrem indiretamente.
Consumo e referências
Estudos indicam benefícios com duas a três xícaras diárias; porém, não há comprovação de causalidade. Acardápio moderado é visto como parte de um estilo de vida saudável, não como garantia de prevenção. A ingestão segura de cafeína para adultos costuma chegar a 400 mg por dia, respeitando a tolerância individual.
Outras bebidas também entram no debate. Chás como verde, preto, mate e hibisco oferecem polifenóis com propriedades antioxidantes. Para quem é sensível à cafeína, opções sem efeito estimulante, como hibisco ou camomila, podem ser alternativas.
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