Cientistas acompanharam seis tartarugas-verdes após a desova no arquipélago de Chagos, no oceano Índico, para entender como ajustam suas rotas migratórias de mais de mil quilômetros. O estudo, publicado na Science Advances, mostra que o replanejamento das trajetórias pode levar até 24 horas.
Os animais migraram em direção às ilhas Seychelles ou ao Banco Saya de Malha, levando em média 27,5 dias de viagem. Dispositivos de rastreamento por satélite registraram mudanças na rota de cada tartaruga ao longo do percurso, permitindo uma visão completa das alterações.
Graeme Hays, ecólogo da Universidade de Deakin, liderou a pesquisa com colegas dos Estados Unidos, Itália e Reino Unido. O experimento envolve apenas seis indivíduos, o que os autores reconhecem como limitação. Novos acompanhamentos devem ampliar o tamanho da amostra.
Metodologia e principais achados
As tartarugas mantêm direção estável por longos períodos, tanto de dia quanto de noite, e só depois executam ajustes graduais de orientação. Esses desvios podem durar de 15 horas a 24 horas e não ocorrem de forma abrupta.
O resultado sugere que o senso de navegação, possivelmente baseado em um mapa magnético, é rudimentar. Mesmo assim, o sistema é suficiente para conduzi-las ao destino, mesmo que desviem do curso por horas ou dias até perceberem o erro.
A pesquisa aponta que as correntes oceânicas e o mapa internalizado diferem entre tartarugas migratórias terrestres e outras espécies. Ainda não está claro como essas forças ambientais influenciam o mapa magnético utilizado pelas tartarugas.
Perspectivas e impactos
A ferramenta de rastreamento desenvolvida para o estudo demorou cinco anos para ficar pronta. Ela permite comparar com precisão para onde a tartaruga está nadando versus para onde a corrente está levando.
Os autores defendem que acompanhar mais indivíduos e outras espécies pode esclarecer como mudanças nas correntes oceânicas afetam migrações. A investigação também aborda impactos da mudança climática na ecologia dessas espécies.
Autores destacam a importância de avaliar como imperfeições de navegação podem levar as tartarugas a explorar novas áreas, diante da ameaça crescente a locais de alimentação e nidificação pela elevação de temperatura e do nível do mar.
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