A estrutura interna de árvores que passam dos 70 metros revela adaptações evolutivas para transportar água de forma mais eficiente até as folhas. Pesquisadores brasileiros mostraram que as árvores dessa altura não enfrentam dificuldades maiores para levar água aos galhos, como se supõe pela gravidade e pela distância.
O estudo envolve 38 exemplares de cinco espécies da família Dipterocarpaceae, consideradas entre as mais altas do reino vegetal. Os pesquisadores observaram ajustes nos vasos do xilema, os tubos que conduzem água, que tornam seu diâmetro maior conforme a árvore cresce.
A pesquisa, publicada nesta quinta-feira 2, na revista Science, aponta que esse aumento de diâmetro facilita o transporte hidráulico em condições de seca. Os resultados sugerem que mecanismos fisiológicos adicionais influenciam a sobrevivência de árvores muito altas diante de mudanças climáticas.
Segundo Rafael Oliveira, biólogo da Unicamp e pesquisador do estudo, não está correto atribuir a altura como única fonte de vulnerabilidade hidráulica. Outros mecanismos internos podem ser igualmente relevantes para a resistência das árvores ao estresse hídrico.
A pesquisa contribui para entender como as florestas funcionam sob climas cada vez mais secos. O achado reforça a importância de modelos que incorporem as adaptações de plantas de grande porte na avaliação de cenários futuros.
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