Um ensaio clínico para tratar o surto de Ebola da cepa Bundibugyo na República Democrática do Congo recebeu o primeiro paciente nesta quinta-feira, informou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Atualmente, não há vacinas ou tratamentos aprovados contra essa cepa do Ebola. Segundo Tedros, a RDC registrou média de 38 novos casos confirmados por dia nas últimas duas semanas. O surto já soma mais de 1.400 casos e 438 mortes.
O estudo deve incluir mais de 1.000 pacientes e pode levar meses para ser concluído. O ensaio vai avaliar o anticorpo experimental MBP134, da Mapp Biopharmaceutical, como tratamento isolado e também em combinação com o remdesivir, antiviral da Gilead Sciences.
A OMS informou que há estoque suficiente de medicamentos para o ensaio. A entidade também negocia com os Estados Unidos, que doaram lotes do MBP134, e com a Gilead para garantir acesso aos medicamentos após os testes, caso eles se mostrem seguros e eficazes. A Gilead disse ter doado mais de 2.000 frascos de remdesivir para o estudo, além de outros 2.000 fornecidos para uso de emergência em junho.
Tedros afirmou que a resposta ao surto teve avanços, com 10 laboratórios capazes de realizar testes para Ebola e acompanhamento de quatro em cada cinco contatos identificados. Ainda assim, ele citou um ataque a um centro de tratamento na província de Ituri, que deixou duas pessoas mortas, como sinal dos desafios no combate à doença.
“Apesar de todo esse progresso, continuamos enfrentando desafios significativos, incluindo desconfiança e violência”, disse o diretor-geral da OMS. A capacidade de tratamento também foi ampliada para 650 leitos, dos quais cerca de 96% estão ocupados. A OMS e parceiros trabalham para adicionar mais 300 leitos.
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