Em Alta Eleições 2026 PolíticaNotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasConflitoseconomiaFutebol

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Pesquisa brasileira redefine micróbios e investiga mistérios de Marte

USP propõe classificação estatística de halófilos para padronizar pesquisas e ampliar o entendimento dos limites da vida, com implicações para astrobiologia e Marte

Pesquisa brasileira redefine micróbios e mira mistérios de Marte - (crédito: Fleur de Sel/Wikimedia Commons)
0:00
Carregando...
0:00

A pesquisa da Universidade de São Paulo propõe uma nova classificação para microrganismos que sobrevivem em ambientes com alto sal. O estudo, conduzido pela doutoranda Ana Paula Schiavo, difunde critérios mais objetivos para entender como a vida pode resistir a Mars-like condições.

A iniciativa nasce da curiosidade sobre a possibilidade de vida em Marte, especialmente em regiões de alta salinidade. Os trabalhos foram realizados no Instituto de Química da USP, com campo de estudo em Diamantina, Minas Gerais, dada a semelhança com ambientes marcianos.

Schiavo apontou a falta de padrões claros na literatura para diferenciar halófilos, halotolerantes e outras categorias. A ausência de critérios padronizados dificulta comparações entre estudos e comunicação entre especialistas.

A pesquisadora analisou 1.298 espécies descritas entre 1967 e 2021 em periódicos de microbiologia. O levantamento mostrou que atuais faixas de salinidade costumam carecer de justificativas científicas.

Ela argumenta que alguns termos, como halófilos leves, descrevem organismos que crescem em sal inferior ao da média oceânica. Isso gera contradição ao considerar oceanos como biomas não extremos.

Novo sistema de classificação de halófilos

O estudo propõe um modelo estatístico: em vez de limites arbitrários, o crescimento ótimo em diferentes salinidades define as categorias. Organismos são organizados por quartis segundo a salinidade ótima.

Nesse arranjo, a média oceânica de sal passa a dividir claramente não halófilos, halotolerantes e os níveis de halofilia (leve a extremo). A ideia é tornar as faixas mais consistentes.

Especialistas do setor receberam bem a proposta. O microbiologista Rubens Tadeu Duarte elogiou o potencial de marcar um marco científico. Fabio Rodrigues enfatizou o ganho analítico para substituir critérios pouco robustos.

A padronização pode favorecer a pesquisa em astrobiologia, área que investiga vida fora da Terra. Marte apresenta salmouras e depósitos de sais; entender resistência terrestre ajuda a delimitar limites da vida planetária.

O estudo resultou em um artigo científico, disponível em pré-print e em revisão por pares para publicação na revista Extremophiles. A pesquisa destaca a relevância de critérios fundamentados para avanços na área.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais