O Nordeste do Brasil apresenta o maior risco de abalos sísmicos no país, em razão de características únicas da crosta terrestre na região conhecida como Província Borborema. Especialistas explicam que a crosta ali é mais fina, o que facilita a transmissão de energia sísmica e a atuação de falhas geológicas.
Pesquisadores destacam que, sob estados como Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, a crosta tem entre 30 e 35 quilômetros de espessura, inferior à média global. O adelgaçamento teria ocorrido entre o Cretáceo e o início da formação do Atlântico, há milhões de anos.
A explicação envolve o estiramento da crosta durante a separação entre as antigas federas continentais, resultado do afastamento entre as placas. A norma é que bordas de placas concentrem tensões, porém regiões intraplaca, como a Borborema, também apresentam falhas ativas.
O Brasil está, em termos geológicos, mais seguro que muitas regiões, já que fica inteiramente dentro da placa Sul-Americana. Ainda assim, a Borborema abriga falhas antigas que permanecem suscetíveis a reativação com a passagem de energia sísmica pela região.
Entre as falhas, destaca-se a de Samambaia, no Rio Grande do Norte. Em 1986, João Câmara registrou um terremoto de magnitude 5,1, que causou danos e desabrigou milhares de pessoas. Acredita-se que a falha já existisse há milhões de anos, mantendo-se geralmente quieta até reativação.
A atuação de falhas intraplacas resulta da acumulacão de tensões ao longo de tempos geológicos. Pesquisas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Estudos Tectônicos, com apoio do CNPq, comprovaram a espessura reduzida da crosta e sua composição heterogênea na região, facilitando a ocorrência de tremores.
Segundo especialistas, a região da Borborema é marcada por rochas antigas e variação de materiais, o que aumenta a frequência de falhas capacitadas a deslocamentos. A transmissão eficiente de energia sísmica também reforça a percepção de abalos naquela área do Nordeste.
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