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Mais de 1,7 milhão de satélites podem comprometer visão do espaço

Simulações apontam perda de dados em telescópios devido aos rastros luminosos registrados no céu noturno

Foto de um satélite sobrevoando a terra
Rastros luminosos deixados por satélites podem interferir no funcionamento de observatórios (Créditos: Wikimedia Commons)

A expansão acelerada de objetos em órbita deve dificultar cada vez mais o trabalho dos astrônomos. O alerta aparece em um estudo do Observatório Europeu do Sul (ESO), responsável por telescópios instalados no norte do Chile. Mais de 1,7 milhão de satélites previstos Segundo o estudo, as propostas atuais preveem o lançamento de mais de […]

A expansão acelerada de objetos em órbita deve dificultar cada vez mais o trabalho dos astrônomos. O alerta aparece em um estudo do Observatório Europeu do Sul (ESO), responsável por telescópios instalados no norte do Chile.

Mais de 1,7 milhão de satélites previstos

Segundo o estudo, as propostas atuais preveem o lançamento de mais de 1,7 milhão de satélites. Entre eles, estão equipamentos com brilho intenso, capazes de prejudicar significativamente as observações astronômicas. Atualmente, cerca de 15 mil satélites estão em órbita.

Além disso, os rastros luminosos deixados por esses equipamentos podem interferir no funcionamento dos observatórios. Eles também afetam a qualidade das fotografias do céu noturno.

“Cada um desses satélites, ao cruzar o campo de visão de um telescópio, deixa uma linha brilhante”, disse o astrônomo do ESO Olivier Hainaut, autor do estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics.

Embora um único rastro represente apenas um pequeno incômodo, a multiplicação dessas marcas pode gerar problemas graves. Isso porque cada linha encobre uma pequena parte do espaço observado pelo telescópio, explicou Hainaut.

Crescimento da indústria espacial

A indústria global de satélites cresceu de forma acentuada desde 2019. Esse avanço foi impulsionado por serviços de internet como o Starlink, da SpaceX de Elon Musk, e o Leo, da Amazon.

As conclusões do estudo se basearam em simulações realizadas no Observatório de Paranal, no Deserto de Atacama, no Chile. Um dos modelos analisou uma constelação formada por até um milhão de satélites.

Nesse cenário, milhares de objetos iluminados apareceriam sobre o Very Large Telescope (VLT) do ESO logo após o pôr do Sol.

De acordo com Hainaut, o impacto dependeria tanto da quantidade quanto do brilho dos equipamentos em órbita.

“Se houver 100 mil, esse é um nível de impacto suportável”, disse Hainaut.

Porém, com 300 mil satélites, alguns telescópios poderiam perder a maior parte dos dados coletados, acrescentou o astrônomo.

Tecnologia e descobertas científicas

Apesar das preocupações, os pesquisadores reconhecem os benefícios dos serviços de internet via satélite. Portanto, o principal desafio será equilibrar os avanços tecnológicos com a continuidade das descobertas científicas.

“O problema é que esse tipo de pesquisa leva tempo, mas os satélites já estão sendo lançados”, acrescentou Hainaut.

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