A Brasil Game Show (BGS) abre as portas ao público neste sábado (10), no Distrito Anhembi, em São Paulo. A 17ª edição vai até segunda-feira (12), feriado de Nossa Senhora Aparecida e Dia das Crianças.
Além dos lançamentos das gigantes internacionais, a feira é vitrine para uma indústria que cresce em ritmo acelerado: a dos jogos feitos no Brasil.
O Brasil está entre os maiores mercados de games do mundo. Segundo a consultoria Newzoo, o país foi o nono em receita com jogos em 2025, com US$ 2,7 bilhões, e soma 123,3 milhões de jogadores.
O hábito é difundido. Na Pesquisa Game Brasil (PGB) 2026, que ouviu 7.115 pessoas de 16 a 55 anos, 86,7% dos entrevistados disseram que os games estão entre suas principais formas de entretenimento.
Uma indústria que cresce e exporta
Do lado de quem cria, o salto foi grande. Segundo a Abragames, associação das desenvolvedoras, o país passou de 133 estúdios em 2014 para 1.042 em 2023, com 13.225 profissionais.
Entre eles está a Mito Games, fundada em 2016 em Vitória (ES). Com foco em mitologia e história brasileiras, a empresa tem como principal projeto “Tupi: A Lenda de Arariboia”, RPG inspirado no líder indígena Arariboia, figura histórica do Espírito Santo e do Rio de Janeiro.
Na aventura, o jogador controla Arariboia, que aprende a purificar os espíritos da floresta. Em vez de monstros tradicionais, aparecem figuras como o Saci, o baiacu, o tamanduá e o mandacaru.
“Há três anos, conseguimos um financiamento inicial da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba para produzir uma demo e começamos esta jornada”, conta o diretor e game designer do estúdio, Leon Zigoni.
O jogo venceu o concurso de pitches da Abragames na Gamescom Latam 2025, tem demo gratuita na Steam e esteve no pavilhão brasileiro da Gamescom 2026, na Alemanha.
A Mito ainda encontrou no exterior uma forma de crescer. Um dos sócios foi para a Bélgica, onde funciona a empresa-irmã Myth Jeux, para captar clientes. Hoje, o estúdio adapta para consoles os jogos de uma desenvolvedora belga.
Setor ainda luta por investimento
Também presente na BGS, a Ignite Dreams, desenvolvedora do RPG de ação “Bloodfang”, ainda se banca com recursos próprios, principalmente do dono do estúdio. A empresa busca uma publisher, como são chamadas as companhias que financiam e distribuem jogos.
“Estamos nos esforçando e batalhando dia após dia para conseguir uma publisher”, conta Guilherme Cozzolino, diretor de arte da Ignite. “Existe um fomento mínimo através de editais, mas particularmente acho que ainda é complicado.”
O Marco Legal dos Games (Lei nº 14.852/2024), sancionado em maio de 2024, prevê para o desenvolvimento de jogos incentivos semelhantes aos da Lei Rouanet e da Lei do Audiovisual.
A lei, porém, ainda depende de regulamentação. Para elaborar as propostas, o Ministério da Cultura instalou em fevereiro de 2026 o Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) dos Games, que reúne ministérios, órgãos do governo federal e representantes do setor.
Enquanto isso, a Ignite segue apostando no próprio jogo. Em produção há cerca de dois anos e meio, “Bloodfang” ganhou forma mais refinada no último ano. Nele, praticamente todos os personagens são animais antropomórficos, o mundo é dominado por predadores e o protagonista, Thalios, é um coelho.
“A ideia é que o jogador vá desenvolvendo a história do Thalios através de arcos narrativos e psicológicos, para que ele tente ficar mais forte sem se corromper e sem acabar se transformando também num predador”, explica Guilherme.
Para se destacar, o estúdio aposta numa arte estilizada, longe do realismo. O jogo mistura o combate dos soulslikes, jogos de ação conhecidos pela dificuldade elevada, com quebra-cabeças, exploração e um sistema de emoções que altera o ritmo das lutas.
“O que eu acho interessante no mercado indie aqui do Brasil é a variedade e a originalidade”, diz.
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